segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Filmes

Personagens do filme estão fiéis ao game? Assista ao vídeo no Youtube clicando aqui!

STREET FIGHTER (Avaliação 3/5 - Bom!)

 Novo filme de uma das franquias mais icônicas dos jogos de luta é divisivo em vários aspectos. Vamos a análise!
 Não há dúvidas que dentre os jogos de luta, 'Street Fighter' é um dos mais admirados. Lançado originalmente em 1987, teve em seu segundo game, de 1991, o auge do sucesso estrondoso que fez da marca uma das mais importantes referências do mundo dos games até os dias de hoje. E todo esse reconhecimento já lhe gerou uma série de adaptações para diversos outros tipos de mídia. Atentando-se aqui mais aos filmes, essa é a terceira tentativa de trazer para as telas grandes algo peculiar sobre este fenômeno comercial. O primeiro longa veio em 1994 - assisti no cinema a este - e sua recepção foi bem morna a época. Na segunda tentativa, em 2009, 'A lenda de Chun-Li' é um filme extremamente medíocre - eu também assisti a essa bomba em casa - e muitíssimo criticado de igual forma. Agora, temos mais uma chance de vermos os queridos e caricatos personagens nessa nova produção. E há pontos bem positivos e outros bem negativos em relação a este que teceremos mais abaixo sobre.

Andrew Koji e Noah Centineo vivem 'Ryu' e 'Ken'.

 Trama desorganizada. Existe um grande dilema quando o assunto é ter muitos personagens para desenvolver em uma única forma compacta, que geralmente são as 2 horas de um filme. Isso normalmente repercute no fato de que uns terão mais atenção e outros não. É bem o caso aqui. A trama central se foca em 'Ryu' (Andrew Koji), 'Ken' (Noah Centineo) e 'Chun-Li' (Callina Liang). Levando em conta que grande parte dos personagens são conhecidos e carismáticos, um contexto minimamente coerente seria ir introduzindo cada um deles aos poucos na história. O que não acontece nem um pouco por razões óbvias. O ritmo acelerado do filme faz com que muitos sejam jogados ali como se o público em geral tivesse que criar empatia instantânea por eles. O game construiu isso ao longo de muitos e muitos anos. E ao que parece a produção queria entregar tudo isso em pouco tempo de apresentação. É difícil pra Hollywood aceitar que esse tipo de filme deveria ter ao menos de 30 minutos a 1 hora a mais para a grande massa entender quem são cada um deles e no fim o corte final fica essa bagunça jogada na tela que não consegue construir a identidade de todos eles. Uma pena desperdiçar o potencial de muitos outros ali para além do trio protagonista. Queria ver os demais mais envolvidos também.
 Boas caracterizações no geral. Em um desempenho global, os trajes, os golpes - que diga-se de passagem que ficaram incríveis todos os que apareceram de todos os personagens - e personalidades dos guerreiros ficaram bem fiéis aos jogos. Dou destaque ao próprio 'Ryu' (Koji), ao 'E. Honda' (Hirooki Goto), 'Zangief' (Oliver Richters), 'Dhalsim' (Vidyut Jammwal), 'Akuma' (Roman Reigns) - estes últimos impecáveis tanto nos trajes quanto em suas personalidades. Há certo consenso que sim, os acertos nos figurinos foram bem melhores orientados dessa vez. A 'Cammy' (Mel Jarnson), uma das minhas personagens preferidas, ficou bem elaborada na pele da personalidade controlada por 'M. Bison' (David Dastmalchian) - mesmo que eu goste mais dela após esses eventos, quando ela é resgatada pela agência secreta britânica nos games. Agora, faço críticas tanto a personalidade de 'Guile' (Cody Rodhes), que foi altamente desconstruída no filme e que me incomodou bastante. E também ao ator que interpretou 'M. Bison' (Dastmalchian). Mesmo sendo um ótimo intérprete, ele não conseguiu passar a força bruta - e falo de força física mesmo, pois ele é magro demais pro papel - e toda a imponência que o líder da "Shaddalo" se propõe a ser. Para saber mais sobre o que eu achei dessas caracterizações, fiz um vídeo que você pode acessar no topo desta análise. Confira lá!

Golpes dos personagens estão legais.

 Excessos evitáveis. Eu consigo entender e perceber toda a ambientação noventista do século passado da produção e que ela não se leva a sério em momento algum. Isso é característica da estética que o diretor quis trazer para a película. Todavia, o uso excessivo de piadas e a adição de um locutor que me deu certa vergonha alheia - a saber, 'Don Sauvage', interpretado por Eric André - não agregaram em nada no desenvolvimento da história que estava sendo contada e que sim, era uma história legal que poderia ter um peso menos caótico e mais focado na direção das lutas. O conteúdo era sim muito bom, com bons confrontos - o do 'Ryu' contra 'Akuma' foi ótimo -, boas intrigas - que essas sim poderiam ser melhor desenvolvidas - e bons conceitos introduzidos. Mas essa mania da Hollywood atual de encher de alívio cômico fora de hora não se sustenta sempre. E alguns desses momentos poderiam ter sim sido suprimidos. Porque não colocaram, ao invés disso, todas as lutas do torneio? Fica o questionamento aqui.
 Histórias individuais críveis. Uma outra construção acertada foram a maioria das histórias individuais - das que foram abertamente contadas - no longa em relação ao game. A contextualização de 'Chun-Li' está correta, pois as motivações são as mesmas do game. A do 'Ryu' e do 'Ken' também foram bem semelhantes a dos jogos também, com exceção de uma postura de 'Ryu' já no terceiro ato que, conhecendo a conduta moral e ética do personagem na franquia original, jamais faria o que fez com 'Ken' como foi visto no filme. O contexto animado de 'Sagat' foi extremamente fiel aos jogos, sendo um dos mais interessantes de se assistir, juntamente com a rivalidade entre os irmãos 'Akuma' e 'Gouki' por conta da sede de poder e do lado maligno do primeiro que se deixou levar pelo lado sombrio do poder que adquiriu. 'Blanka' também foi inserido com motivações bem conectadas as suas origens no game. 'M. Bison', mesmo com minhas críticas ao físico do ator, também tem conduta bem semelhante a obra original. Como disse, das narrativas mostradas - pois muitos outros foram simplesmente jogados em tela sem o mínimo de contexto -, todas foram muito similares e fazem sentido com suas respectivas tramas dentro do jogo. Aceito sim como mais um bom acerto do diretor e do roteirista.

As cenas em animação ficaram ótimas.

 Enfim, vale a pena ver o filme? RECOMENDADO! Como um fã da franquia desde seu início e tendo propriedade para falar por conhecer bastante das narrativas 'in game' posso dizer que esse "Street Fighter" é o que consegue reproduzir melhor o que o jogo é de fato. Todavia tenho duras críticas ao jeito caótico como o filme é trabalhado em sua fotografia principal. Faltou focar mais na lutas e menos em contextos bobos que muitas das vezes tiravam o foco do que era o mais importante, que é o torneio em si e as motivações do vilão. Mas no geral é o filme mais divertido e o mais próximo aos jogos que já se produziu, com animações feitas a mão em 2D belíssimas - inclusive nesta hora o longa brilha muito. Considero sim que valha o entretenimento. Vale o ingresso!

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