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RESIDENT EVIL (Avaliação 4/5 - Muito bom!)
Novo longa baseado no famoso game dirigido por Zach Cregger tem bons
acertos na trama e alguns equívocos no trato com os personagens.
Vamos a análise!
"Resident Evil" é uma mui estimada
franquia. Tendo seu primeiro game sido lançado em 1996, de lá pra
cá a franquia alçou patamares altíssimos e hoje se encontra como
uma das mais reconhecidas e clássicas dos jogos. Tanto que várias
adaptações já foram elaboradas para as telas grandes. Algumas
boas, outras medianas, outras bem medíocres mesmo. Mas nenhuma delas
conseguiu o feito desse novo longa em termos de imersão, como se
você e eu fossemos jogadores passivos em meio em uma cidade sombria
seguindo os passos do protagonista como nos games. Veremos o porquê
dessa nova empreitada ter pontos bem altos e outros nem tanto mais
abaixo.
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| Cenário e imersão bem alinhada com os jogos. |
Ambientação fidedigna. Um dos pontos que chama a atenção nesta
adaptação é justamente a forma como a fotografia principal e a
trama são conduzidas. 'Racoon City' é extremamente impecável no longa comparado a
ambientação dos games. Inclusive no que diz respeito a limitação
dos cenários dentro jogo. Há partes do filme em que o
protagonista, vivido pelo ator Austin Abrams, explora como se
realmente fosse uma área limitada e que só se pode chegar até
certo ponto do cenário porque não há mais nada após aquele
ambiente. Esse aspecto criativo do diretor em transpor algo como se
fosse uma 'limitação de hardware', onde há um ambiente único e
fechado para se passar é realmente brilhante. Consegue traduzir toda
a ambientação claustrofóbica e absurdamente escura que os games
reproduzem fazendo parecer que o personagem principal está inserido
em um jogo mesmo, só que em forma de audiovisual passivo. E não só a
fotografia principal traduz essa façanha, como na pós produção,
montagem e edição os cortes e inserção das cenas foram elaboradas
também para atingir tal fim. Uma sacada bem relevante e muito bem
conduzida pelo diretor.
Jogabilidade imersiva em tela. Outra
questão muito bem destacada pela visão do diretor é a forma como o
protagonista se estabelece para se defender dos ataques das mutações
humanas criadas pelo vírus de laboratório que perdeu o controle na
cidade. Ele adentra aos ambientes e faz buscas por itens, armas e
acessórios exatamente como se estivéssemos jogando. E a cada parte
que ele passa, outros itens ele vai coletando para enfrentar aquela
horda de monstros daquele ambiente, com direto a pontos de câmera em
primeira pessoa, uma coadjuvante que tem pontos de diálogo e
literalmente imita um NPC (non playable character, 'personagem não
jogável' em português), tiros errados - eu inclusive sou terrível
nesse quesito (rs) -, munições limitadas, cadeados que só abrem se
buscar pela chave e que não se quebram atirando, entre muitas outras
divertidas mecânicas que se usa comumente com os controles dos
consoles e que foram reproduzidas de forma muito satisfatória em
tela. São inúmeras referências reais de 'gameplay' que citei só
algumas que lembrei e que achei divertidíssimas de assistir em um
outro tipo de mídia. E essa proeza de conduzir a ação nesse nível
eu ainda não tinha visto em nenhuma outra adaptação de um jogo
para a tela grande. Bem inventivo e muito bem encaixado na película.
Falta de protagonistas. Dos pontos realmente negativos, ver um longa
que leva o nome de "Resident Evil" sem ao menos um dos
personagens mais conhecidos da franquia é uma tarefa dura de
engolir. A cada momento a produção pedia o aparecimento de um 'Leon
Kennedy', ou uma 'Jill Vallentine', e até mesmo um 'Chris Redfield'
ou uma 'Claire Redfield' na construção da narrativa. Esses aí são
a alma dos games. São eles que dão na maior parte do tempo a liga
que une todos os episódios da série até os dias de hoje. Muito
embora o nome da marca seja muito forte por si só, os personagens
são extremamente carismáticos até para o público que não jogou
tanto quanto os reais fãs. Isso pode traduzir que o material
original da obra não foi visto com tanto esmero, mesmo que outros
pontos tenham sido tão bem cuidados. O excesso de piadas em uma
produção desse tipo também compromete a sensação de urgência e
medo que a situação distópica causa. E não que o alívio cômico
não seja importante. Ele é e funciona no longa. Porém em demasia
cria uma ruptura de contexto. E essas falhas no fim atrapalham a
experiência com o produto final.
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| Bom ator, protagonista aleatório. |
Enfim, vale a pena ver o filme? MUITO RECOMENDADO! "Resident
Evil" é sim um ótimo filme de terror. Muito bem dirigido,
estruturalmente bem elaborado e com referências sólidas aos games.
Todavia descaracterizar a produção retirando personagens centrais
ainda fere bastante a concepção correta do conceito relativo ao que
se propõe o game. No entanto, com o bom desempenho da película nas
bilheterias, esse ponto pode ser ajustado já no próximo filme,
criando a imersão que precisamos para a franquia. No ademais, os
pontos positivos para quem curte 'survival horror' vão ser
suficientes para a diversão. Vale muito o ingresso!



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