terça-feira, 20 de outubro de 2026

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RESIDENT EVIL (Avaliação 4/5 - Muito bom!)

 Novo longa baseado no famoso game dirigido por Zach Cregger tem bons acertos na trama e alguns equívocos no trato com os personagens. Vamos a análise!
 "Resident Evil" é uma mui estimada franquia. Tendo seu primeiro game sido lançado em 1996, de lá pra cá a franquia alçou patamares altíssimos e hoje se encontra como uma das mais reconhecidas e clássicas dos jogos. Tanto que várias adaptações já foram elaboradas para as telas grandes. Algumas boas, outras medianas, outras bem medíocres mesmo. Mas nenhuma delas conseguiu o feito desse novo longa em termos de imersão, como se você e eu fossemos jogadores passivos em meio em uma cidade sombria seguindo os passos do protagonista como nos games. Veremos o porquê dessa nova empreitada ter pontos bem altos e outros nem tanto mais abaixo.

Cenário e imersão bem alinhada com os jogos.

 Ambientação fidedigna. Um dos pontos que chama a atenção nesta adaptação é justamente a forma como a fotografia principal e a trama são conduzidas. 'Racoon City' é extremamente impecável no longa comparado a ambientação dos games. Inclusive no que diz respeito a limitação dos cenários dentro jogo. Há partes do filme em que o protagonista, vivido pelo ator Austin Abrams, explora como se realmente fosse uma área limitada e que só se pode chegar até certo ponto do cenário porque não há mais nada após aquele ambiente. Esse aspecto criativo do diretor em transpor algo como se fosse uma 'limitação de hardware', onde há um ambiente único e fechado para se passar é realmente brilhante. Consegue traduzir toda a ambientação claustrofóbica e absurdamente escura que os games reproduzem fazendo parecer que o personagem principal está inserido em um jogo mesmo, só que em forma de audiovisual passivo. E não só a fotografia principal traduz essa façanha, como na pós produção, montagem e edição os cortes e inserção das cenas foram elaboradas também para atingir tal fim. Uma sacada bem relevante e muito bem conduzida pelo diretor.
 Jogabilidade imersiva em tela. Outra questão muito bem destacada pela visão do diretor é a forma como o protagonista se estabelece para se defender dos ataques das mutações humanas criadas pelo vírus de laboratório que perdeu o controle na cidade. Ele adentra aos ambientes e faz buscas por itens, armas e acessórios exatamente como se estivéssemos jogando. E a cada parte que ele passa, outros itens ele vai coletando para enfrentar aquela horda de monstros daquele ambiente, com direto a pontos de câmera em primeira pessoa, uma coadjuvante que tem pontos de diálogo e literalmente imita um NPC (non playable character, 'personagem não jogável' em português), tiros errados - eu inclusive sou terrível nesse quesito (rs) -, munições limitadas, cadeados que só abrem se buscar pela chave e que não se quebram atirando, entre muitas outras divertidas mecânicas que se usa comumente com os controles dos consoles e que foram reproduzidas de forma muito satisfatória em tela. São inúmeras referências reais de 'gameplay' que citei só algumas que lembrei e que achei divertidíssimas de assistir em um outro tipo de mídia. E essa proeza de conduzir a ação nesse nível eu ainda não tinha visto em nenhuma outra adaptação de um jogo para a tela grande. Bem inventivo e muito bem encaixado na película.
 Falta de protagonistas. Dos pontos realmente negativos, ver um longa que leva o nome de "Resident Evil" sem ao menos um dos personagens mais conhecidos da franquia é uma tarefa dura de engolir. A cada momento a produção pedia o aparecimento de um 'Leon Kennedy', ou uma 'Jill Vallentine', e até mesmo um 'Chris Redfield' ou uma 'Claire Redfield' na construção da narrativa. Esses aí são a alma dos games. São eles que dão na maior parte do tempo a liga que une todos os episódios da série até os dias de hoje. Muito embora o nome da marca seja muito forte por si só, os personagens são extremamente carismáticos até para o público que não jogou tanto quanto os reais fãs. Isso pode traduzir que o material original da obra não foi visto com tanto esmero, mesmo que outros pontos tenham sido tão bem cuidados. O excesso de piadas em uma produção desse tipo também compromete a sensação de urgência e medo que a situação distópica causa. E não que o alívio cômico não seja importante. Ele é e funciona no longa. Porém em demasia cria uma ruptura de contexto. E essas falhas no fim atrapalham a experiência com o produto final.

Bom ator, protagonista aleatório.

 Enfim, vale a pena ver o filme? MUITO RECOMENDADO! "Resident Evil" é sim um ótimo filme de terror. Muito bem dirigido, estruturalmente bem elaborado e com referências sólidas aos games. Todavia descaracterizar a produção retirando personagens centrais ainda fere bastante a concepção correta do conceito relativo ao que se propõe o game. No entanto, com o bom desempenho da película nas bilheterias, esse ponto pode ser ajustado já no próximo filme, criando a imersão que precisamos para a franquia. No ademais, os pontos positivos para quem curte 'survival horror' vão ser suficientes para a diversão. Vale muito o ingresso!

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