segunda-feira, 10 de agosto de 2026

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MOANA (Avaliação 4/5 - Muito bom!)

 Longa 'live-action' da animação de 2016 repete trama mas mantém carisma de seus personagens com atores reais. Vamos a análise!
 Vamos ser honestos. A criatividade tem passado longe de Hollywood nos últimos anos. Uma enxurrada de 'remakes', 'reboots' e continuações de filmes antigos tem permeado o tempo presente. Mas há de se convir que algumas ideias são trazidas de forma até bem executadas. Já muitas outras, nem tanto. E dentro desse lapso de imaginação, alguém decidiu produzir versões com atores reais de desenhos e animações - que são justamente os chamados 'live-actions'. Tudo bem que a tecnologia hoje já permite um nível de fidelidade absurdo em relação ao trabalho original. Contudo a produção continua sendo uma repetição atualizada. É o exato caso deste filme. "Moana" originalmente foi lançado em 2016 em forma de animação e arrebatou o público com seus personagens e uma história muito cativante. Tanto que recebeu uma bela sequência em 2024. Então, eis a pergunta. Porque em um tão curto espaço de tempo querer refazer algo já consolidado por crítica e público? E minha retórica aqui não quer expressar que a produção é ruim. Muito pelo contrário. Tem altíssimo custo e altíssimo nível de qualidade. Selo "Disney" mesmo. Todavia existem alguns fatores e alguns pontos que podem fazer sentido para um risco financeiro tão prematuro como esse. Veremos mais abaixo alguns porquês dessa nova empreitada.

Catherine Laga'aia atua bem como 'Moana'.

 Dwayne Johnson é o foco. Existe toda uma história nos bastidores desta produção, tanto a animada quanto o longa - que podem nos fazer entender esse movimento da Disney. O ator tem origem materna samoana - do país Samoa, na Oceania - e o deus 'Maui' foi inspirado em seu avô materno. Isso explica o cuidado que Johnson tem com a franquia e o porquê ele foi o produtor responsável pela película. Inclusive na dublagem original da animação é ele quem dá voz a 'Maui'. Isso por si só já é uma forte razão para aproveitar o auge do ator e de sua forma física para interpretar o personagem em carne e osso e deixar vivo o legado interessante de sua família. Duvido que ele daria o papel para outrem. Acredito fortemente na premissa de que ele queria deixar as impressões digitais reais dele nessa empreitada, por razões óbvias e bem emocionais. Eis aí uma boa razão para essa decisão de trazer a vida esse filme tão cedo.
 Uma produção primorosa. Mesmo sendo um espaço de tempo curto para essa produção, a Disney não poupou esforços nem muito menos dinheiro para a realização deste. Tão icônico quanto o anterior, a riqueza de detalhes no CGI multicolorido e nos efeitos aquáticos magistrais revelam o quanto direção, produção, edição e efeitos especiais trabalharam para entregar um espetáculo visual magnífico em tela. Não perde em nada para as mais recentes adaptações, se valendo mesmo de uma qualidade muito elevada. E tanto Johnson (Maui) quando Catherine Laga'aia (Moana) atuam muito bem, tem forte presença e uma excelente química em tela. Parece mesmo que seus personagens foram feitas para eles. A ideia central foi revisitada aqui com muita técnica e maestria e está a altura das melhores do gênero. Pode acreditar nisso!
 Capitalizar sem limites. Por outro lado, esses excessos desse tipo de trabalho também caracterizam uma enorme fadiga de ideias da indústria atual. Repetição não é reimaginar. É pegar o que outrora deu certo, dar uma nova forma e monetizar mais uma vez em cima do mesmo conteúdo. E aqui claramente não é uma reimaginação de um clássico. É o mais do mesmo só que exibido de uma forma diferente e com um corte semelhante ao que já tinha sido visto. Como disse no parágrafo anterior, é muito bonito - e divertido também - mas nada criativo nem agregador. É apenas querer ganhar mais dinheiro - e não que o objetivo de qualquer obra seja diferente - naquilo que já rendeu muito. E nesse ponto as empresas querem até a última fagulha do seu suado recurso. Seja da maneira que melhor convir para eles. Sempre.

Dwayne Johnson está muito bem como 'Maui'.

 3D pouco relevante. O recurso agrega muito pouco a experiência e só o fará gastar moedas a mais, caro leitor. Poderiam ter reconstruído tudo do zero para uma imersão diferenciada. No entanto ficou só no nível das camadas sobrepostas mesmo, sem qualquer efeito que valha o investimento a mais. Dessa vez fica a seu critério aderir ao conceito ou não.
 Enfim, vale a pena ver o filme? MUITO RECOMENDADO! "Moana" em 'live-action' é a indústria requentando o que fez sucesso e colocando na prateleira novamente. Todavia há sim uma magia interessante, divertida e única em reviver sua proposta. E afirmo que sim, foi um entretenimento muito convincente, apesar de ser mais do mesmo. Vale dar uma conferida. Vale o ingresso!

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