O DIABO VESTE PRADA 2 (Avaliação 4/5 - Muito bom!)
Novo longa sobre moda protagonizado por estrelas consegue criar um
novo paradigma com os novos tempos. Vamos a análise!
O
primeiro filme, lançado em 2006, teve como foco a construção e
evolução do caráter de 'Andy Sachs' (Anne Hathaway) em meio a um
turbilhão de sentimentos mistos ao trabalhar em uma revista de moda,
comandada pela cruel e interessante personagem 'Miranda Priestly'
(Meryl Streep). Ao confrontar essa mescla de personalidades, o filme
traça um paralelo entre o que realmente vale a pena na vida: as
escolhas profissionais ou as pessoais? E nesse traçado, vemos o
crescimento profissional e, porque não dizer, emocional de 'Andy'
durante sua jornada na 'Runway', pois ficou claro o seu interesse em
se aprofundar naquele mundo, mesmo que isso custasse sua vida pessoal
- até certo ponto. Pois bem, os anos se passaram, o aprendizado
ficou, e temos agora uma 'Andy' mais madura, mais convicta e que, por
uma questão de interesses, retorna para a 'Runway', sendo que a
empresa está com um escopo totalmente diferente para os novos
tempos. E o legal aqui é justamente o quanto isso afeta todos os
personagens nos dias de hoje, inclusive 'Miranda'. Veremos abaixo
alguns pontos curiosos dessa mudança e o quanto o filme aposta nessa
nova realidade.
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| Elenco original retorna e está excelente. |
'Miranda Priestly' desconstruída. A pessoa mais impiedosa do
primeiro filme vê-se em um conceito completamente diferente do que
ela vivia - e usufruía desse poder com mão de ferro -, visto que o
mundo digital entrou completamente no jogo e, mesmo ela querendo
manter a postura, teve de se adaptar a algo que outrora ela tinha o
domínio inteiro em suas mãos, de forma literal. Essa desconstrução
da personagem ao longo da narrativa mostra algo muito interessante,
que é o fato de que as coisas mudam e se não acompanharmos a
evolução, a tendência é perdermos o controle daquilo que outrora
éramos irretocáveis. E a personagem de Meryl Streep, interpretada
novamente com maestria pela atriz, claramente sente o peso da idade e
das mudanças, juntamente com o enfoque do tempo integralmente
dedicado ao trabalho, que afetou emocionalmente sua vida pessoal.
Essa prerrogativa do roteiro funcionou muito bem para a personagem,
trazendo uma camada a mais na abordagem dela. Muito bom!
Uma
nova visão de mundo. Todo o longa é trazido para a atualidade,
tanto nos conceitos quanto na tecnologia, e isso produz na trama algo
que mescla com o olhar do passado. Se antes a empresa funcionava como
uma revista física de moda, agora que praticamente tudo se tornou
digital, isso vai influenciar diretamente em como os negócios vão
se comportar daqui pra frente. Não é mais sobre 'o que se vende',
mas 'como se vende'. A sociedade de consumo é outra atualmente, se
focando em redes sociais, sites e aplicativos para o comércio, e caso uma empresa não se adapte a isso, vai perder mercado. É nesse
ponto que a história ganha contornos relevantes, pois os números de
vendas físicas se tornaram em números de cliques válidos. Quantas
empresas não sucumbiram nesse mercado hoje porque não souberam se
adaptar? Fica o questionamento do longa.
Filme com jeito
'Disney'. Muito embora a trama dê continuidade ao fim do longa
anterior, com a demissão de 'Emily' (Emily Blunt), a decepção de
'Nigel' (Stanley Tucci) e a desistência de 'Andy' (Anne Hathaway)
daquele emprego, a nova produção carrega indubitavelmente um tom
menos sério. Se antes a produção se concentrava mais no
desenvolvimento e seriedade das personagens, agora cria mais
situações inusitadas - e porque não dizer até engraçadas - com
direito até a um musical, bem ao estilo 'Disney' de contar
histórias. E não é dizer que a personagem de Anne Hathaway não
seja cômica na produção passada. Ela é. O que muda aqui nesse é
que outrora ela era o contraponto da chefe e isso se tornava
divertido. Aqui há invariavelmente uma mudança de tonalidade em
toda a película, que suaviza pontos que eram sim mais sisudos. E
mesmo vendo essa incomoda diferença, o elenco ainda brilha com
atuações excelentes e lições bem colocadas.
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| 'Miranda' ainda sendo imponente em cena. |
Enfim, vale a pena ver o filme? MUITO RECOMENDADO! "O diabo
veste Prada 2" consegue se sobressair com seu roteiro, mesmo
fechando um ciclo completo no primeiro filme. Atuações brilhantes,
escolhas narrativas funcionais e um toque de atualidade fizeram esse
novo longa ser ainda bastante relevante. Vale muito o ingresso!



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