terça-feira, 16 de abril de 2024

Filmes

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INSTINTO MATERNO (Avaliação 4/5 - Muito bom!)

 Novo longa protagonizado por Anne Hathaway e Jessica Chastain é denso, tenso e com um final inquietante e perturbador. Vamos a análise!
 Duas estrelas ganhadoras do Oscar em uma história permeada de dores, perdas, medos, insegurança, crises e uma narrativa intensa e passional. Este é o escopo da história desse filme. O que te move diante da dor? O longa tem essa premissa muito forte ao longo e mostra por vezes realidades que duvidamos em acreditar nas pessoas. Somos permeados pelos mais variados sentimentos e vemos através desta produção como os mesmos podem mexer conosco das formas mais variadas, quer seja para o bem ou para o mal. As consagradas atrizes traduzem muito bem essas emoções em tela e brilham com todo o drama que é proposto nesta película. Abaixo trarei mais alguns detalhes do porque essa produção é tão interessante e reflexiva.

Anne e Jessica: brilhantes.

 Dor como forma de paranóias. Se existe algo que mexe com o ser humano são as questões que envolvem nosso emocional a ponto de nos deixar marcas. E essa marcas podem facilmente serem perpetuadas e reproduzidas por muito tempo se não forem tratadas. Ambas as personagens de Anne Hathaway (Céline) e Jessica Chastain (Alice) tinham problemas psicossomáticos que as colocavam em um estado de grande receio com os filhos 'Max' (Baylen D. Bielitz) e 'Theo' (Eamon Patrick O'Connell). Embora fossem grandes amigas, ambas tinham suas preocupações e precauções escalonadas por detalhes do passado delas (sem 'spoilers' aqui). E o que quero destacar nesse parágrafo é justamente quais os riscos e situações que nos levam a tomar rumos tão questionáveis às vezes. É exatamente sobre isso que o filme trata. Sobre psicológicos abalados e as consequências mais desastrosas que essa condição pode trazer. E isso é bem explícito em todo o longa, levando o espectador a perceber que nossos mais profundos instintos podem ser aflorados da forma mais unilateral possível.
 Atuações bem pontuadas. Jessica e Anne são tão viscerais em suas performances que ambas transmitem os sentimentos de suas personagens de forma intensa e muito carregada. São brilhantes em demonstrar o viés das personalidades de cada mãe com cenas que são uma mescla de tensão, emoção e desconfianças de forma extremamente sólida. Os conflitos familiares, excessos e falhas são muito bem executados por elas, juntamente com a importância das crianças, que se saem muito bem para formar o contexto dramático da narrativa. A trama é muito pontuada na fatalidade ocorrida com 'Max' (Baylen) e o conjunto da obra é magnífico nesse sentido. Ela realmente transmite o peso do sofrimento de todos com muita maestria e profundidade.


'Max' (Baylen) ao fundo: fofo.

 Enfim, vale a pena ver o filme? MUITO RECOMENDADO! Inspirado no livro de mesmo nome de Barbara Abel, "Instinto materno" é uma produção instigante que trata sobre até onde podemos chegar por causa das nossas dores. O fim extremamente incômodo é uma mostra das nuances humanas quando não sabemos lidar com certos sentimentos. Uma obra reflexiva e bem interessante de assistir, com atuações maravilhosas e extremamente dramáticas.  Vale demais o ingresso!

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domingo, 14 de abril de 2024

Games

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 Vamos falar sobre filmes inspirados em games. Nova moda?
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quinta-feira, 4 de abril de 2024

Filmes

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KUNG FU PANDA 4 (Avaliação 4/5 - Muito bom!)

 Novo longa do panda guerreiro mais querido das animações diverte e traz um tom nostálgico à franquia. Vamos a análise!
 Desde o lançamento do primeiro longa, em 2008, lá se vão muitos anos de aventuras e risadas com este caricato e carismático personagem. E com o fim da primeira trilogia - muito bem encerrada, por sinal -, ficou um gostinho de querer ver mais de todos os personagens de volta as telas. E apesar dos cinco furiosos não fazerem parte desta nova jornada, 'Po' consegue ser interessante o suficiente para chamar a atenção do público novamente. E cá estamos em mais uma jornada de descobertas estritamente pessoais do nosso amado protagonista. 'Mestre Shifu' quer que 'Po' passe o manto de 'Dragão guerreiro' para outrem e se torne o líder do 'Vale da Paz'. Mas ao que parece o panda Kung Fu está relutante em mudar de posição e vai precisar de muita meditação e aventura para achar um substituto à altura. Essa é a história que permeia este quarto longa e vamos destrinchar abaixo como esse roteiro simples veio a calhar para trazer essa franquia de volta a ativa.

'Po' e 'Zhen': dupla improvável.

 Personagens muito carismáticos. Decerto há uma bela gama de coadjuvantes em 'Kung Fu Panda' que brilham tanto quanto o protagonista. Desde os fenomenais antagonistas - todos os longas têm inimigos para lá de incríveis -, até 'Shifu' e os cinco furiosos - que têm charme o suficiente para terem seu próprio longa 'spin-off', assim como fazem com os 'Minions' -, o nosso protagonista também é um acerto sempre muito grande. Por ser justamente o oposto do que seria um mestre de Kung Fu, ele é extremamente engraçado e desengonçado, pronto para criar as mais variadas e divertidas situações com ele. Os cinco furiosos fizeram sim falta neste quarto longa, mas 'Po' tem autonomia para carregar um filme - que é seu mesmo - sozinho. O pai panda e o pai ganso, que são os maiores coadjuvantes da vez, não fazem feio e entregam muitos momentos cômicos durante a produção. 'Zhen', a nova personagem, é versátil e chega a ter reviravoltas muito boas ao longo. Já a 'Camaleoa', vilã deste, entrega uma persona divertida, mas um pouco aquém dos outros vilões já consagrados da franquia. Entenda, não é uma personagem ruim, longe disso, mas é abaixo da média dos anteriores. Fato.
 Uma jornada de descobertas. Por ser muito bondoso e, de certa forma, inocente, 'Po' encara situações muitas das vezes sem prever os riscos que elas podem acarretar. E isso é uma característica desse personagem que é o motivo dele ser tão querido tanto por adultos quanto por crianças. Ser 'guerreiro' e ser 'inocente' são opostos que se fundem muito bem na personalidade de 'Po'. E como direção e produção usam isso em tela a favor da narrativa é algo de se admirar de verdade. Toda a construção e amadurecimento do personagem estão arraigados a estes fatores. E é isso que faz esse panda ser tão agradável, incrível e longevo.
 Dublagem brasileira. Mais uma vez nossa dublagem acerta em muitos pontos nas escolhas das pessoas que dão vida a todos os personagens deste longa. Destaque sempre certo para Lúcio Mauro Filho, que faz 'Po' desde o início e continua sendo um encaixe perfeito para o principal personagem da franquia. Danny Suzuki se sai muito bem como 'Zhen' e consegue passar suas impressões para a nova personagem. E Taís Araujo é quem dubla a antagonista, porém acredito que faltou um pouco mais de entonação para tornar a vilã mais ameaçadora. Faltou achar o ponto certo para dar a ênfase que a 'Camaleoa' deveria ter e ser. Louvamos todo o trabalho da atriz e de todos os que passam por esta experiência, mas que ela poderia soar mais feroz e voraz, isso poderia.

Pai panda e 'pai' ganso: coadjuvantes da vez.

 Experiência 3D poderia ser melhor. Sempre gosto de destacar o uso deste recurso para melhorar a imersão em qualquer filme. Nesse caso, a animação tem boa percepção dos efeitos, todavia poderiam ser mais caprichados e em maior volume. O conceito do efeito me agrada, mas não é sempre que ele é bem desenvolvido. Se gostar, assista. Se não, vale ir sem o efeito pois o longa traz bastante entretenimento por si só.
 Enfim, vale a pena ver o filme? MUITO RECOMENDADO! "Kung Fu Panda 4" mexe na nostalgia alheia e consegue trazer nossos queridos personagens de volta em um roteiro simples, bem-humorado e com uma trama que busca novos rumos para o protagonista. É a medida ideal para adultos e crianças se divertirem muito. Vale demais o ingresso!


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terça-feira, 2 de abril de 2024

Games

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 Vamos falar sobre games a 70 dólares. É viável?
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sábado, 23 de março de 2024

Filmes

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DUNA - PARTE DOIS (Avaliação 5/5 - Excelente!)

 Segunda parte do épico de Dennis Villeneuve consegue superar o primeiro e trazer ainda mais consistência a narrativa. Vamos a análise!
 O diretor desse longa é muito conhecido por ser bastante autoral em suas obras. Uma de suas veias artísticas mais marcantes é como ele usa a fotografia em seus filmes de forma sublime, dando um ar superior à produção e gerando momentos realmente belíssimos em tela. Esse cuidado com os detalhes o torna um dos grandes do nosso tempo, pois seu minimalismo aliado aos recursos que o cinema oferece nos propõe trabalhos tão incríveis como esse. "Duna" é o exemplo de seu esforço homérico em traduzir um livro de várias camadas e enorme em uma produção fina, ímpar e que extrai o melhor que os livros têm a oferecer. Cada questão abordada no longa, sejam elas políticas, sociais ou religiosas, são um deleite para todos os fãs da obra literária e para os que não a conhecem tão bem. Destrincharemos abaixo alguns pontos relevantes da segunda parte desta memorável produção.

Chalamet e Zendaya: excelentes.

 Elenco estelar muito bem direcionado. Desde o primeiro filme, o elenco de "Duna" impressiona não só por ser bem escalado, mas por cada um ter seu tempo de tela bem colocado em diálogos que são relevantes para toda a trama. Uns com mais, outros com menos, mas nenhum deles deixa de brilhar. E isso só é possível quando há liberdade criativa e tempo de filme para se trabalhar. Ambos os filmes tem mais de duas horas e meia de duração e esse fator soma positivamente para se ter um escopo muito bem desenvolvido. Sempre falo isso: o corte final da película pode até ficar com bastante tempo, mas que seja assim para que o filme e seus personagens sejam bem explorados em tela. E "Duna - parte dois" faz isso muito bem também.
 Atreides versus Harkonnen. Ponto central de todo o longa, o conflito entre as duas famílias se afunila e vai se tornando cada vez mais feroz e voraz na busca pelo poder. Uma poderosa especiaria chamada 'mélange' é a base que mais sustenta esse conflito. Como não há acordos entre as famílias sobre a extração desse, uma guerra se trava entre eles, culminando em várias reviravoltas ao longo e descobertas extremamente relevantes para a trama. E o que chama a atenção nesse roteiro e no que trata o livro é o quanto desde que o mundo é mundo as disputas por terras, poder e a religiosidade em torno disso são tão comuns quanto a trama do filme e dos livros. Temos recentes casos envolvendo disputas - como é por exemplo EUA e China em tensão por conta de Taiwan; pesquise sobre e verás várias semelhanças aqui. O que quero dizer é que uma das obras de ficção mais relevantes do nosso tempo aborda realidades que vivemos no mundo real. Portanto, nada de novo no 'front'. Somos esmagadoramente envolvidos por situações tão semelhantes quanto as que o autor do livro se debruçou para escrever. Ficção e realidade se entrelaçam por aqui da forma mais ímpar possível. Não há como negar.

Elenco de altíssimo nível.

 Visuais deslumbrantes e caprichados. Outra coisa que impressiona neste (no primeiro também) é a qualidade do CGI. Não somente as locações das quais foram gravadas as cenas (em uma matéria vi dizendo que onde eles gravaram o deserto toda a equipe e atores acordavam cedo e só podiam gravar das 5 às 7 da manhã, devido o lugar esquentar demais durante o dia), que são efeitos práticos, mas toda a parte em computação gráfica é soberba, lindíssima e ricamente detalhada. Realmente zero defeitos para o trabalho artístico não só do diretor, mas para a equipe de efeitos especiais. Como eu disse lá no primeiro parágrafo, Villeneuve ainda tem por traço artístico a fotografia ímpar de seus filmes. Some tudo isso e teremos um deleite visual dos mais icônicos da atualidade.
 Enfim, vale a pena ver o filme? RECOMENDADÍSSIMO! "Duna - parte dois" é riquíssimo em elenco, história e personagens - e ainda conta com a trilha sonora do magnífico Hans Zimmer. O diretor Dennis Villeneuve conseguiu extrair 'leite' de pedra para compilar de forma tão satisfatória as informações mais relevantes do livro de Frank Hebert. Realmente um trabalho impecável para ser visto e revisto por muitos anos. Vale demais o ingresso!

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quinta-feira, 14 de março de 2024

Bíblia

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REFLEXÃO BÍBLICA

 "Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância" João 10.10b
 Breve explanação sobre o porquê temos o dever de levar as 'boas novas' para outrem. Se gostar, por favor compartilhe este vídeo, curta, comente e se inscreva. Deus te abençoe!


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sábado, 9 de março de 2024

Filmes

O MENINO E A GARÇA vídeo com 'spoilers' e teorias aqui: Games, Bibles, Movies & cia

O MENINO E A GARÇA (Avaliação 5/5 - Excelente!)

 Novo longa animado dos estúdios Ghibli mantém o alto padrão de animes da empresa. Vamos a análise!
 Baseado no livro Genzaburo Yoshino de 1937, o longa conta a história de 'Mahito Maki', um jovem que vive no Japão de 1943, durante a guerra do pacífico. E uma das características mais marcantes do diretor Hayao Miyazaki é com certeza a subjetividade de seus filmes. Por se tratar de uma animação, a liberdade criativa que ele tem é usada a todo vapor para suas produções. Pense em clássicos como "A viagem de Chihiro" ou "Meu amigo Totoro" e vai enxergar o quanto Miyazaki trabalha bem nesse tema. Todavia esse novo longa ele vai bem além da subjetividade, beirando o surrealismo em algumas cenas e mesclando real com imaginário de forma brilhante. O primeiro ato do longa é totalmente palpável e mostra a história de 'Mahito' e suas nuances. Já do segundo e até a metade do terceiro ato temos uma mescla poderosa de imaginação, concepções de mundo e ideias que só a arte desse estúdio poderia conceber. E vou destrinchar abaixo de forma objetiva tudo o que impressiona no que diz respeito a parte técnica do filme.

O fofo protagonista.

 Traços animados deslumbrantes. Um ponto que difere esse estúdio dos outros é o fato dele não ter prazo para terminar uma obra. Enquanto as ideias surgirem, eles vão trabalhando de forma bem compassada até sair o produto que eles desejam. Para se ter uma ideia, cada minuto desenhado desse levou cerca de um mês para ser produzido. Isso mostra o cuidado em fazer algo com muita excelência sem pressão de investidores nem acionistas querendo dinheiro a curto prazo. E o resultado é um trabalho tão fino e elegante que, além da fluidez dos quadros de animação, algumas cenas parecem verdadeiras aquarelas pintadas a mão, demonstrando também o quão bela é a fotografia do filme. Não é de hoje que a empresa adotou essa abordagem. Mas que ela faz uma enorme diferença na qualidade de seus produtos, certamente faz.
 Subjetividade e surrealismo. Muito embora o primeiro ato mostre muito bem o drama vivido pelo protagonista, é na fôrma do imaginário que ele reproduz as mais belas paisagens. Na interação com o que não é real, 'Mahito' faz descobertas interessantíssimas sobre as composições do mundo onde ele se encontra. Não quero dar 'spoilers' aqui, querido leitor. No entanto, não vá querendo de primeira entender o que o personagem principal está vivendo. Existe realmente um imaginário do diretor tão fértil que a obra pode possuir mais de uma possibilidade de explicação ou interpretação. E isso é o que torna os estúdios Ghibli um dos mais conceituados, respeitados e premiados do nosso tempo. Prender-se aos detalhes para muito depois 'ruminar' em várias hipóteses é realmente uma tarefa divertida e produtiva. Sim, você vai achar tudo bem esquisito e desconexo, caro leitor, mas posso te garantir que essa 'viagem' pelo mundo de 'Mahito' vai valer muito a pena. Até porque existe uma forte jornada emocional por trás de toda a trama. Mas ela se esconde em pequenos detalhes no longa. Algumas em forma de imagem, outras em forma de diálogo. Deixo o leitor a cargo de fazer suas próprias descobertas ao longo.

A subjetividade é o cerne desse diretor.

 Enfim, vale a pena ver o filme? "RECOMENDADÍSSIMO"! "O menino e a Garça" é a prova mais poderosa sobre até onde a imaginação pode chegar. Muitas das obras desse diretor são automaticamente clássicos atemporais, quer por sua arte em 2D, quer por seus significados misteriosos ou sua forte veia subjetiva e surrealista. Uma obra que traduz a arte como ponto central da narrativa e não se preocupa muito em se explicar. É muito mais contemplativa e menos heróica. Mas funciona extremamente bem dentro do contexto do que Miyazaki quer nos passar. Vale demais o ingresso!

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quarta-feira, 6 de março de 2024

Bíblia

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REFLEXÃO BÍBLICA 

 'Basta cada dia seu mal' Mateus 6.34b
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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Filmes

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POBRES CRIATURAS (Avaliação 5/5 - Excelente!)

 Longa dirigido por Yorgos Lanthimos tem narrativa agressiva que choca, mas muito pertinente nos dias de hoje. Vamos a análise!
 A dicotomia humana sugere que bem e mal habitam dentro de nós ao mesmo tempo. Sabemos disso pois temos regras na sociedade e aquelas coisas que fazemos que não cumprem tais preceitos, são repudiados ou criamos em nossa consciência um sentimento de 'culpa' pela nossa ignorância (isso de uma maneira geral, pois há casos de pessoas que não sentem nenhum remorso pelo que fazem). Mas sim, falaremos das pessoas que fazem parte da dita 'normalidade'. Esse filme tem por objetivo abordar a inocência humana diante da sujeira que vivemos enquanto sociedade. Ele tem uma realidade distópica que recria certos padrões como se fossem verdades absolutas, mas ao mesmo tempo os destrói mostrando que certas ações são apenas demonstrações de pessoas que se acham tão cheia de pudor, mas se escondem em suas vestes elegantes e seus conceitos hipócritas de 'elegância'. Os personagens de Emma Stone a Mark Ruffalo trazem tão bem essa dualidade que chegam a ser extremos opostos em um mundo tão desigual. E destrinchar essa magnífica obra aqui é uma tarefa ampla, pois suas nuances são tão profundas que pretendo trazer talvez e somente algumas delas por aqui.

Emma Stone: merecidamente premiada.

 Mundo idealista, realidades bruscas. Uma das principais características dessa produção é ser extremamente escrachada e despudorada propositalmente para mostrar ao espectador o tom das realidades que chocam. Tudo no filme tem sentido quando percebemos isso. Ele toca em feridas como ganância, corrupção, abismo social, arrogância, convenções humanas que na prática não servem para nada, a vergonha que o ser humano pode chegar em troca de dinheiro, a 'prisão' do machismo versus a 'prisão' do feminismo, entre uma série de outros pontos mesclados brilhantemente pelo diretor que fazem a gente perceber que o experimento no primeiro ato do filme (sem 'spoilers' aqui) é na verdade uma forma de mostrar o que acontece quando você 'cresce' nessa sociedade da qual vivemos e no que você pode se transformar se não observar o mínimo de cuidados com suas escolhas e caminhos que segue. É uma verdadeira e acirrada crítica a hipocrisia humana sem medo de mexer no que há de mais ardiloso dentro do ser. E o diretor faz isso da forma mais seca e visceral, sem rodeios.
 Atuações brilhantes. Emma Stone já coleciona muitos prêmios por suas atuações (inclusive já ganhou três prêmios com esse longa e está concorrendo ao Oscar 2024 na categoria "Melhor atriz"), porém ela se doa para esse papel de forma insana. As nuances, os aprendizados, as transformações quando ela passa a conhecer o 'mundo' - demonstrado fortemente pelo contraste de cores que vai mudando à medida que o filme se desenrola -, tudo é muito grandioso em suas mãos. Ela busca retratar exatamente os passos que seu papel se propõe. E o faz com maestria. Mark Ruffalo também está tão impecável como um 'canastrão galante' que seus momentos em tela são brilhantes. A desconstrução que ele faz do seu personagem é algo de impressionar (não à toa há pouco tempo ganhou uma estrela na "Calçada da fama". Merecido.), tamanha a profundidade de sua performance. Ambos contracenando juntos formam uma dualidade irretocável, que é justamente onde se dirige toda a crítica do longa. Algo digno de Oscar mesmo.

Mark Ruffalo: performance irretocável.

 Enfim, vale a pena ver o filme? RECOMENDADÍSSIMO! "Pobres criaturas" é uma crítica rasgada e sem cortes sobre a sociedade com um todo. Faz você sair da sessão com largo sentimento de 'peso' por narrar de forma tão abrupta o caos social que vivemos. Uma obra firme para realmente ir ver de mente muito aberta para compreender tudo o que o filme quer passar. Espetacular. Vale demais o ingresso!

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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Filmes

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SÉRIES

 'Percy Jackson e Os Olimpianos' da Disney Plus. Funcionou?
 Alguns comentários e opiniões sobre a primeira temporada desta série. Se gostar, por favor compartilhe este vídeo, curta, comente e se inscreva. Obrigado por assistir!


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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Filmes

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ARGYLLE - O SUPER ESPIÃO (Avaliação 3/5 - Bom!)

 Novo filme de Matthew Vaughn tem roteiro inventivo, mas peca um pouco em sua execução. Vamos a análise!
 A ideia de unir espionagem e comédia não é nem um pouco nova. No entanto, a história desse longa tem momentos tão inusitados que rompem várias vezes as barreiras narrativas para quebrar a percepção do espectador sobre a produção. Quer seja para o bem ou para o mal, ela surpreende por tentar ser ousada e nem um pouco lúcida a princípio. E isso funciona de certa forma durante o longa. O problema é que na hora de concentrar esforços para executar tudo a que o filme se propõe, ele nega a existência do consenso e da coesão e dá lugar por vezes a fantasia escrachada e até certa maneira, meio piegas. E tudo isso que disse aí era sim ideia do diretor do filme, pois está bem escancarado na proposta. Mas funcionou de verdade? É o que veremos nos parágrafos abaixo.
 Uma viagem 'alucinógena'. Que todo roteiro precisa fazer sentido, mesmo ele sendo difícil de entender ou muito bem elaborado, isso todo mundo já sabe. Mas o diretor desse resolveu criar uma dinâmica meio que de 'ficção dentro da ficção' e abusa de elementos subjetivos para dar a ideia de 'grandiosidade' do filme. Ele lá até tem seus méritos, porém a condução da trama começa a ficar cansativa a partir da metade do segundo ato em diante, quando ele resolve trabalhar mais ainda com o 'cartunesco' e com cores vibrantes, dando um aspecto extremamente piegas a produção. Não me leve a mal, caro leitor, mas direção e produção começam muito bem sua execução, mas no fim escorregam em prolongar demais algumas cenas e descaracterizar a seriedade que poderia ter sido o final e a ideia central da película. Uma pena.


Trio subaproveitado.

 Muitos nomes, poucas cenas e mudanças não muito convincentes. Temos para este filme um elenco para lá de interessante. Henry Cavill, Samuel L. Jackson, Dua Lipa, John Cena, Bryce Dallas Howard, Sam Rockwell. Ótimos nomes, porém uns aparecem demais e outros, nem tanto. Na verdade, a 'salada' visual e dinâmica da trama faz com que você pense algo a respeito do longa propositalmente e após descamba para o inusitado, onde alguns atores é que de fato são os protagonistas dessa história (sem 'spoilers' aqui). O que pode jogar 'um balde de água fria' no espectador ou surpreender de forma positiva. Vai depender do seu ponto de vista. A questão aqui, no caso das atuações, são as nuances da atriz Bryce Dallas Howard, que faz essa ruptura de expectativas ser tão forte que em um segundo momento de sua personagem ela não funciona. Na 'primeira fase', digamos assim, ela está perfeitamente 'casada' com a ideia proposta para o seu papel. Já no outro momento (que é justamente após a metade do segundo ato), ela desanda e não entrega muito bem a sua 'segunda fase'. Além das cenas longas demais, essa outra fase da personagem não ilustra muito bem o perfil da atriz e ela não convence em suas performances. Fica tudo muito sem emoção e ela não consegue transferir isso para o público. É uma ótima atriz, mas não combinou com a mudança que fizeram com ela.

Dupla um tanto inusitada.

 Enfim, vale a pena ver o filme? RECOMENDADO! "Argylle - O Super Espião" tem um conceito bacana, mas falha em alguns aspectos. No geral, é um bom filme justamente pela sua proposta não linear. Mas o terceiro ato precisava de uns ajustes para ficar realmente excelente. No entanto, a ideia de 'quebrar expectativas' me agradou bastante. Vale o ingresso!

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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Filmes

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 Filmes de Super-Heróis. Tem Futuro?
 Alguns comentários e opiniões sobre este gênero que virou febre dos anos 2000 para cá. Se gostar, por favor compartilhe esse vídeo, curta, comente e se inscreva. Obrigado por assistir!


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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

Filmes

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ANATOMIA DE UMA QUEDA (Avaliação 5/5 - Excelente!)

 Longa francês que aborda tema relevante é denso e com atuações incríveis. Vamos a análise!
 Filmes que abordam casos de julgamento de valores tem aos montes. Todavia o que faz a diferença nesse é como essa abordagem é contada. O desenvolvimento pernicioso e proposital da narrativa faz com que o espectador não encontre respostas de maneira mais tangível. O clima da produção é ambientado para que tudo seja obscuro, pesado, sem praticamente chegar a um denominador comum durante toda a película. E é isso que faz dessa jornada algo tão preciso e emocional. Não a toa concorre a cinco categorias do Oscar 2024, incluindo "Melhor filme". E veremos um pouco mais do porquê de tanto entusiasmo pela produção.
 Um drama intenso. Se filmes desse tipo já carregam certo peso, esse aqui o leva a patamares ainda mais altos. O público nunca sabe em quem acreditar, ou em que acreditar. Tudo o que temos em mãos é um marido falecido, uma esposa/mãe dolorida, um filho em desespero e o advogado contratado para o caso. A partir daí as incertezas provocadas pela diretora Justine Triet são o ponto-chave de toda a trama. Não julgue ser uma narrativa simples, caro leitor. Os diálogos intensos e os mais árduos sentimentos são postos a prova nessa história. E o que o filme se propõe em todo tempo é mostrar a nossa fragilidade enquanto ser humano em todos os aspectos da vida, incluindo a falta dela. Magistral!

Sandra Hüller: atuação brilhante.

 Vidas destroçadas pela tragédia. Não há nada mais incômodo e duradouro que a dor de uma perda. Por mais que os conflitos da vida se acumulem, perder um ente querido nunca é tarefa das mais fáceis de se lidar. Principalmente se houver uma criança envolvida no caso. Camadas se tornam mais profundas e incômodas de se dialogar. Como uma criança lida com a perda de um parente próximo como um pai ou uma mãe? Como explicar e verbalizar o ocorrido com todas as palavras se nem sempre elas podem ser totalmente ditas aos pequenos? O filme elucida este tema de uma maneira tão pertinente e, até certo ponto, tão dura, que desnuda realidades frequentes do cotidiano de uma família. E conduz o espectador ao seio familiar rasgado de acúmulos, dores e situações não ou mal resolvidas ao longo do tempo. E toda a narrativa se volta para essas questões tão verossímeis e sensíveis do ser humano. Muito bom!
 Atuações incríveis e muito elogiadas. O drama vivido por 'Sandra' (Sandra Hüller) faz com que a atriz se empenhe de forma excepcional no papel. Sua performance é tão intensa e tão emotiva que lhe rendeu também uma indicação de "Melhor atriz" no Oscar 2024. As nuances, incertezas e dissabores daquele momento de sua vida são traçados nos menores gestos, expressões e palavras. Outro que tem direito a muitos elogios é o ator mirim que faz 'Daniel' (Milo Machado-Graner). O garoto simplesmente esbanja talento com uma sintonia fina, crua e delicada de uma infância difícil, pelo fato de não enxergar completamente, e pela complexidade em como o pequeno ator dá ao falecimento do pai e a outros excessos do casal. Ele trafega pela dor e pelo sentimento de forma tão sublime que é difícil não se emocionar com sua atuação. Não fica devendo nada para o elenco adulto. Magnífico!

Milo Machado Graner: Talentoso e carismático.

 Enfim, vale a pena ver o filme? RECOMENDADÍSSIMO! "Anatomia de uma queda" pode parecer comum concernente ao seu tema, porém sua dramaticidade e singularidade está justamente na forma como foi conduzido pela diretora Justine Triet e pelos atores Sandra Hüller e o pequeno Milo. Com um fim muito bem elaborado, é grande concorrente a ter algum prêmio nas categorias do Oscar 2024 nas quais está concorrendo. Vale muito o ingresso!

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domingo, 4 de fevereiro de 2024

Bíblia

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REFLEXÃO BÍBLICA

 'Porque foi subindo como Renovo perante Ele, e como raiz de uma terra seca' (Isaías 53.2)
 
Uma breve explanação sobre o porquê Deus nos chama 'terra seca'. Confira o vídeo e seja abençoado em nome de Jesus!


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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Filmes

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TURMA DA MÔNICA JOVEM - REFLEXOS DO MEDO (Avaliação 3,5/5 - Muito bom!)

 Novo longa dos queridos personagens de Maurício de Sousa conseguem renovar e divertir, mesmo com um novo elenco. Vamos a análise.
 Há de se convir que os 2 primeiros filmes infanto-juvenis da turminha tem um elenco acertadíssimo, com roteiros relevantes e histórias divertidas. No entanto, os quadrinhos para jovens da turma tem uma orientação completamente diferente das versões infantis. São histórias mais espirituosas, cheias de mistérios, encontros, desencontros e muita animação justamente por serem mais crescidos. Com isso, a proposta desse novo projeto não conseguiria acompanhar o elenco anterior, pois a abordagem é outra e não se aplicaria nesse momento os antigos atores. Adoro todos eles, mas para essa produção a alteração do 'cast' era necessária. Vamos destrinchar um pouco sobre isso mais abaixo.
 Roteiro diferenciado. Nos projetos anteriores, os longas se focaram muito nos relacionamentos interpessoais dos protagonistas, dando a eles camadas mais profundas de sentimentos. Já neste, o foco principal está mais na trama central do que nos personagens em si, uma vez que certamente a direção optou por já saber que o público conhece os personagens. E a história abordada tem um cunho muito mais relevante para a idade jovem da turminha do que para os mais novos. Por esse motivo, achei a troca de elenco necessária e extremamente importante. Eles têm melhor encaixe com as ideias trazidas no roteiro, que envolve uma trama meio 'sobrenatural', como acontecem nos quadrinhos jovens deles.

A nova e bela 'Turma': ótimos atores.

 Troca de elenco necessária. Como disse anteriormente, o elenco principal tinha de ser alterado, não só pela idade dos personagens, como também pelo tipo de proposta que o longa tem a oferecer. Mesmo assim, as nuances dos personagens infantis estão lá: 'Cebola' (Xande Valois) traz seus planos quase 'infalíveis', 'Mônica' (Sophia Valverde) ainda tem seu forte temperamento estampado, 'Magali' (Bianca Paiva) continua gostando muito de comida, 'DC' - Do contra (Yuma Ono) ainda é do contra (rs) e 'Milena' (Carol Roberto) ainda é bem curiosa e amiga. Agora, destaco aqui o 'Cascão' de Théo Salomão que, pela sua versão jovem não ter sua principal característica, que é o medo de água, ele traz uma abordagem diferenciada para o mesmo da qual me agradou bastante. Ele é medroso, porém em uma outra vertente e isso o diferencia bastante da sua versão infantil. E eu gostei bastante da sua transposição e de sua atuação.
 Efeitos visuais brasileiros ainda engatinham. O longa requer algumas cenas e alguns momentos que exigem efeitos especiais. Falando de cinema nacional e do cenário do país a esse respeito, ainda estamos longe de uma qualidade tão boa quanto os filmes de 'Hollywood'. Todavia pensando em como evoluímos bem devagar por aqui, e tendo em mente isto, posso afirmo que há certa razoabilidade no que é proposto e mostrado em tela. Volto a dizer, estou me posicionando como mercado interno. E estamos tentando melhorar aos poucos nesse aspecto. E acredito ser relevável isso no filme como um todo.

Efeitos visuais razoáveis.

 Enfim, vale a pena ver o filme? MUITO RECOMENDADO! "Turma da Mônica Jovem - Reflexos do medo" traz uma outra proposta baseado nos quadrinhos de mesmo nome e tem um elenco legal e renovado que oferece uma nova dinâmica para os personagens. Acredito no potencial dessa nova equipe e seus novos integrantes. Se curtir e quiser conferir, acredito que vai se divertir sim, querido leitor. Vale muito o ingresso!

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segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

Bíblia

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REFLEXÃO BÍBLICA

 Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. (Efésios 6.11)
 Uma breve explanação sobre porque buscar de Deus revestir-se. Confira o vídeo e seja abençoado em nome de Jesus!


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sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

Filmes

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PATOS! (Avaliação 4,5/5 - Excelente!)

 Nova animação da 'Illumination' é divertidíssima, hilária e reflete muito bem o ambiente familiar. Vamos a análise!
 O que patinhos fofinhos tem a ver com família? Para a produtora de 'Minions', tudo. Nesta nova empreitada do estúdio, o roteiro aborda de forma muito cômica e deliciosa o dia a dia de uma família de patos que vivem tranquilamente em seu laguinho até que 'Pam' (dublada no Brasil por Priscila Amorim) e seus filhos veem um grupo migratório indo em direção a Jamaica. Indagado pela família, 'Mack' (dublado por Sérgio Stern por aqui) se enrola por não querer ver sua família em risco fora das mediações tranquilas de suas vidas. Até aqui, tudo bem. Mas não se engane, querido leitor, a proposta do longa começa a ficar pomposa após essa sinopse. E acaba por se tornar uma das produções mais divertidas da temporada. Explicarei abaixo melhor os porquês.

A família 'Patos!' completa.

 As sutilezas de uma verdadeira família. Não há nada mais interessante para mim em uma animação que ver uma metáfora de realidades que vivemos trocadas por algum tipo de personagem em tela. Aqui, são quatro patos (dois machos e duas fêmeas) que integram essa composição e entregam, de maneira muito lúdica e extremamente cômica, as diferenças e divergências de personalidades de cada um de seus membros. E são esses contrapontos de cada um que trazem tamanha elucidação a excelente narrativa do longa. São quatro cabeças diferentes, em etapas diferentes da vida que tem de transformar suas contrariedades em comunhão. E não é tarefa nada fácil encarar essa aventura. Ao mesmo tempo que é delicioso ver como a 'Illumination' trabalha isso de maneira tão fluida, engraçada e peculiar. Isso sem contar com o quinto integrante que aparece um pouco depois, o 'Tio Den' (dublado pelo talentosíssimo ator Ary Fontoura). Dono de várias das situações cômicas do longa, ele agrega muito bem a trama e torna tudo ainda mais hilariante. É sério, caro leitor, vocês vão rir bastante com todos eles, pois é possível ver várias camadas da sociedade como um todo e do seio familiar inseridas em uma história com animais tão distintos como patos. E durante todo o longa, é possível ver e perceber a jornada de crescimento e mudança de todos em relação uns aos outros. Esse movimento transformador e de autoconhecimento de cada personagem é justamente o que dá ao filme esse entendimento que podemos ir além e ser melhores do que fomos outrora, caso estejamos dispostos a querer essas mudanças. E mudanças sempre envolvem riscos. Será que estamos dispostos a encarar o novo, o desconhecido e o 'sair da zona de acomodação' para poder crescer? Fica a interessantíssima proposta de toda a película para eu e você pensarmos, amigo leitor.

O contexto dessa cena é hilário!

 Dublagem brasileira sempre impecável. Já rasguei elogios várias vezes por aqui, mas volto a dizer: que temos uma das melhores dublagens do mundo, isso é fato. A direção de dublagem e a localização focada em nossa cultura e costumes de fala trazem sempre brilho, momentos engraçadíssimos e qualidade superior. Filmes e animações que prezam pela boa dublagem sempre terão um destaque maior. Sempre. E esse aqui faz seu dever de casa de modo impecável também.
 Efeitos 3D excelentes. Essa é certamente uma das raras exceções em que recomendo plenamente assitir o longa com os óculos para uma experiência ainda mais imersiva e divertida. Não deveria ser exceção, não é mesmo? Porém a indústria nem sempre se importa com a qualidade desse recurso. Porém nesse caso aqui eu faço questão de dizer: vá assistir em 3D. Está lindo!
 Enfim, vale a pena ver o filme? RECOMENDADÍSSIMO! "Patos!" leva o nome de um dos estúdios de animação mais competentes da atualidade. A 'Illumination' dá uma aula em qualidade técnica e narrativa em suas produções. E nos últimos anos ela não tem falhado nesse trabalho. Vá sem medo de ser feliz. Vale demais o ingresso!

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quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

Filmes

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AQUAMAN 2 - O REINO PERDIDO (Avaliação 4/5 - Muito bom!)

 Novo filme do herói aquático da DC consegue ser tão divertido e bonito quanto o primeiro. Vamos a análise!
 Em meio a especulações e dúvidas sobre um dos personagens mais subestimados da 'Liga da Justiça', o diretor James Wan em 2018 conseguiu um feito que é para poucos: revitalizar o protagonista, dar a ele um 'status' muito mais atualizado (que já havia se iniciado com o diretor Zack Snyder) e crendo que seu lugar cativo no panteão da 'Liga' poderia ser amplamente restaurado. Confiante em seu discurso e seu trabalho, o primeiro filme solo 'Aquaman' fez belamente seu dever de casa com conceitos visuais belíssimos, um fundo do mar deslumbrante e uma história sobre honra e reinado muito bem escrita. Faturou um bilhão de dólares nas bilheterias e foi um dos maiores sucessos daquele ano. Repetir o feito em um segundo filme não seria tarefa nada fácil. Estamos em um momento pós pandemia, onde os 'streamings' dominam e o desgaste do cinema de super-heróis é evidente. Mas felizmente a dupla James Wan e Jason Momoa são eficazes o suficiente para não só manter a qualidade do filme, como para nos trazer de volta a versão mais criativa em termos de mudança de um personagem até hoje. O segundo filme não supera o primeiro, mas faz muito bem seu papel em manter o mesmo nível de beleza visual, carisma e roteiro bem fechadinho. Vamos trabalhar melhor essas nuances nos parágrafos abaixo.

'Aquaman' e 'Baby Aquaman': ótimos!

 Mudança criativa e elenco carismático. Uma das maiores e mais bem aceitas transformações de visual de um personagem de quadrinhos foi certamente a de 'Arthur Curry/Aquaman'. Momoa atribuiu ao personagem características que ao invés de incomodar, tanto recriaram quanto remodelaram o personagem para melhor. E isso foi certamente um dos pontos mais positivos tanto nos filmes do Zack Snyder em que ele aparece quanto em seu primeiro filme solo. Fora o fato que Momoa é extremamente carismático e conta com um elenco tão interessante quanto a própria mudança do personagem. Nicole Kidman, Amber Heard, Patrick Wilson, Dolph Lundgren são alguns nomes que completam esse 'cast' de respeito. Sem falar no vilão 'Arraia Negra', vivido pelo ator Yahya Abdul-Mateen II, que nos propõe um antagonista de peso que tem um arco muito bem delineado contra o herói nos quadrinhos. Tudo isso soma positivamente para que esse segundo filme funcione. Uma boa narrativa precisa de personagens e atores que tenham condição de contá-la de forma satisfatória. E esse elenco o faz com muita dignidade.
 Roteiro simples mas acertado. É sempre um ponto a se questionar quando um roteiro é confuso ou mal adaptado em tela. E mesmo com todas as regravações que o filme precisou ter por conta de inúmeras trocas de gestão, por incrível que pareça o resultado final foi uma narrativa simplificada, linear, porém muito coesa e sem furos. Acho que esse é o maior trunfo desse longa em detrimento de outras produções do gênero em 2023. E ele ainda, opinião minha, faz algo que me agradou muito: fechar o arco do personagem para finalizar sua história ainda no antigo DCEU. Isso transformou 'O Reino Perdido' em uma duologia bem contada e com narrativa bem amarrada que não fica em nenhum momento prometendo nada no futuro. O longa se encerra nele mesmo e a história de 'Arthur/Aquaman' foi finalizada com sucesso. Mesmo com os outros pontos, não teve nada mais positivo do que esse 'encerramento' do personagem pra mim. Trouxa a real sensação de fim que 'The Flash' e 'Shazam 2' não tiveram, uma vez que eles não levam seus filmes mais a lugar nenhum. Os 'reshoots' foram muito bem vindos no caso dessa produção em específico.

Vilão 'Arraia Negra': arco de vingança.

 Visual continua deslumbrante. Wan nos trouxe o reino de Atlântida no primeiro filme com visual estonteante e CGI's que beiram a perfeição. Tudo plasticamente muito belo e rico em cada detalhe, em cada cena e em cada personagem. Pois bem, o fator visual se repete com a mesma beleza nesse. O diretor repete com muita competência sua visão para o segundo longa e nos entrega novamente um fundo do mar magnífico e bem elaborado. Sendo que ainda acho um diferencial nesse bem colocado: outros 'lugares' são 'virtualmente' visitados dentro dos oceanos e isso enriquece ainda mais seu vislumbre. Wan não poupou criatividade - nem dinheiro (rs) - para a construção dos seus cenários para a película. Tudo é grandioso e soberbamente lindo no fundo do mar criado pelo diretor. Isso prova o quanto James Wan é versátil e extremamente talentoso nesses quesitos.
 Efeitos 3D positivos e pontuais. Interessante que sempre quando falo aqui sobre o uso ou não dos óculos 3D para uma experiência mais imersiva, nas últimas tentativas minha satisfação como entusiasta da tecnologia não foi completa. Curiosamente dessa vez eu recomendo bastante o efeito, queridos leitores, ainda mais se assistirem em uma boa sala com o recurso. São bons e agregam ao belíssimo visual que o filme entrega. Recomendo o gasto a mais dessa vez!
 Enfim, vale a pena ver o filme? MUITO RECOMENDADO! "Aquaman 2 - O Reino Perdido" tem visual lindo, tem positivamente Jason Momoa interpretando pela última vez sua visão diferenciada do protagonista e tem um desfecho coerente com o fim do DCEU para o personagem. São pontos que realmente não falham e se tornam diversão real e significativa para os fãs do 'Aquaman' e da DC. Vale sua ida. Vale muito o ingresso!

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domingo, 31 de dezembro de 2023

Filmes

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GODZILLA MINUS ONE (Avaliação 4/5 - Muito bom!)

 Novo filme do 'Kaiju' mais querido do Japão é tenso e bem fiel as suas origens. Vamos a análise!
 Em comemoração aos setenta anos do personagem mais famoso da cultura japonesa, o diretor Takashi Yamazaki decide homenagear o protagonista com um filme mais denso, dentro das raízes mais profundas da construção da mitologia em torno do monstro gigante e trazendo um roteiro que nos leva no tempo a um Japão despedaçado pelo pós guerra - mais precisamente a Segunda Guerra Mundial. Com suas vidas ainda por reconstruir após os destroços deixados pelo conflito, surge nos mares uma criatura que torna as coisas ainda piores. E o que chama a atenção é o filme se passar justamente nesse período, pois até o nome do filme tem um peso nisso e é interessante pensar sobre como os japoneses lidaram após o fim do embate. Vamos falar um pouco mais sobre nos parágrafos abaixo.
 'Minus One'. Existe um dito popular que diz 'nada é tão ruim que não possa piorar'. A definição aqui cabe perfeitamente no título. Após alguma pesquisa, notei que o título representa exatamente um Japão em estado 'zerado' pela guerra, reiniciando de seus destroços, porém com a chegada do Godzilla o que já está zerado se tornou 'menos um'. Ou seja, o reinício foi ainda mais abafado pela chegada do monstro, tornando tudo ainda muito mais tenso e agravante. O que era para recomeçar do zero, ficou ainda mais abaixo de zero percebe? Isso mostra o peso do personagem em meio a um caos já em decorrência do pós guerra. Interessante.

Ele chegou para dizer o que veio fazer.

 Trauma constante. Falar da Segunda Guerra para os japoneses não é algo muito agradável para eles, obviamente. Hiroshima e Nagasaki ainda estão no meio da memória desse povo. E é interessante ressaltar como isso é retratado no longa usando o Godzilla como protagonista, porém ao mesmo tempo como 'pano de fundo' para tratar dos horrores do pós conflito, que deixaram uma Japão a deriva e devastado com tudo o que havia acontecido. O fato do raio do 'Kaiju' ser radioativo demonstra sutilmente que os destroços causados pelo confronto foram catastróficos. É uma ilustração dolorosa de um período crítico para o que hoje é conhecido como um dos países mais tecnológicos do mundo.
 Desonra e honra. O ator Ryûnosuke Kamiki vive o protagonista central da trama, 'Kõishi Shikishima', um aviador kamikaze que se perdeu pelo medo de ser apenas um 'tiro ao alvo' no meio de seus inimigos. No entanto, o arco de desenvolvimento de seu personagem é cativante e envolvente, construindo e moldando seu caráter a partir de seus próprios medos. Sabemos que os japoneses tem um código de ética e honra muito fortes e isso influencia o povo em todas as áreas de suas vidas. Ver isso sendo captado em tela e mostrado com certa veracidade não só é interessante como também faz parte intrínseca da cultura daquele país desde os primórdios da nação. E após a Segunda Guerra, isso foi ainda mais fortemente norteando os japoneses para que se tornassem a potência que é a nação hoje. Muito bem elaborada essa parte do filme.

Cena de perseguição no mar incrível!

 Enfim, vale a pena ver o filme? MUITO RECOMENDADO! ‘Godzilla Minus One’ é a volta as raízes do personagem, não só o homenageando, mas também pondo em discussão os conflitos de uma nação devastada pelo pós guerra e como sobreviveriam a mais uma ameaça, caso ela existisse naquele período. O filme tem muitas camadas de debate, e as que eu propus estão neste singelo texto. Se curte cultura japonesa e filmes que são mais reflexivos, é diversão certa para você. Vale demais o ingresso!

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sábado, 23 de dezembro de 2023

Filmes

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WONKA (Avaliação 4,5/5 - Excelente!)

 Com uma estética leve e bem construída, longa que conta a história pregressa de seu protagonista é delicioso de assistir. Vamos a análise!
 Interpretado por pelo menos duas vezes por Gene Wilder (1971) e Jhonny Depp (2005), 'A fantástica fábrica de chocolate' foi escrito por Roald Dahl e publicado pela primeira vez em 1964. O personagem central, 'Willy Wonka' é um artista que sabe criar como ninguém. Mas alia suas criações ao gosto pelo chocolate, propondo uma viagem sem limites ao paladar da imaginação. E agora em 2023, temos ninguém menos que Timothée Chalamet interpretando uma versão mais jovem do sonhador criador, contando um pouco de suas experiências e peripécias para conseguir alcançar seu maior sonho: construir maior e melhor loja de chocolates do mundo. Cheio de musicais e coreografias inspiradas e muito técnicas, o longa consegue recriar toda essa magia e ser, ao mesmo tempo, carregado de belas lições e significados. Vamos destrinchar esses pontos melhor mais adiante.

Canções e coreografias impecáveis.

 Técnica impecável. Todo o filme tem sua narrativa pautada em algum ponto central ou nos atores principais, obviamente. Mas aqui juntar a trama com musical ganha um gostinho pra lá de especial. Tanto Timothée quanto todos envolvidos nas danças e coreografias são responsáveis pelas mais belas e doces apresentações durante todo o filme. 'Live action' com canções são difíceis de combinar. Ter entrosamento entre roteiro, trama e músicas não é nem um pouco fácil. Mas esse longa traz uma suavidade tão peculiar que prende o espectador e transforma tudo em quase um belo espetáculo teatral. Isso mesmo. Parece uma peça de teatro em formato de filme, tamanho a dedicação dos atores em traduzir uma mídia na outra sem perder a real sensação de que é de fato um filme. E todos os cenários, figurinos e diálogos são construídos com base nessa premissa. É tão fluido e honesto que o filme passa e não se percebe. Tem um singelo bom gosto artístico que transpassa gerações. Tanto crianças, quanto jovens e adultos vão realmente se encantar com o tom da produção.
 Lições interessantes no contexto das atuações. Os coadjuvantes do longa são ricos e bem construídos. Olivia Colman interpreta a dona de um hotel um tanto quanto duvidoso quanto a sua qualidade e serviços. O protagonista se vê em apuros quando assina um contrato sem ler o restante dos termos. E a primeira lição aqui é que devemos sempre estar atentos as 'facilidades' que nos oferecem nesta vida. Muitas pessoas caem em golpes dentro e fora da internet por não querer ter o trabalho de checar melhor o que e com quem estão fazendo negócios. E são golpes que as vezes custam anos de sacrifícios e lutas para conquistar um bem. Toda atenção é pouca nesses casos. Outro ponto interessante que dá uma bela lição de vida é como a indústria - falo das gigantescas - querem 'engolir' o mercado com seus produtos, ofuscando qualquer tipo de concorrência que lhes faça competição no mesmo nível. É o caso claro de 'Willy Wonka', que chega na cidade querendo vender seus deliciosos e irresistíveis chocolates, mas trava uma batalha com os grandes comerciantes locais, por conta de seu produto ser claramente diferenciado dos outros. Alguma alteração entre a ficção/fantasia e o mundo real? Acho que não. É de fato uma leve e doce paródia da vida como um todo, contada da maneira mais sutil e refinada possível.

Oompa-Loompa (Hugh Grant): muito bom.

 Enfim, vale a pena ver o filme? RECOMENDADÍSSIMO! "Wonka" brilha em seu musical, no cômico e sorrateiro 'Oompa-Loompa' de Hugh Grant e na versatilidade de atuação de Timothée Chalamet. As expectativas desse que vos escreve foram mais que superadas, tanto pela ótima tradução das canções quanto das atuações. Filme muito gostoso de assistir com toda a família. Arrisco dizer que ao menos uma indicação ao Oscar 2024 de 'Melhor ator' Chalamet merece. E o filme por 'Melhores efeitos visuais' e ' Melhor figurino'. Vale demais o ingresso!

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