JOJO RABBIT (Avaliação 4,5/5 - Excelente!)
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| Ótimo poster! ^^ |
Filme de Taika Waititi aborda o horror da guerra sob a ótica pura e
inocente de um garotinho de 10 anos. Vamos a análise! ^^
A
temática dos conflitos da Alemanha nazista já foi mostrada em
inúmeros filmes de diversos modos. Porém o diretor Taika Waititi,
conhecido pelo seu conteúdo mais colorido e lúdico, nos entrega
esta pérola em forma de conteúdo audiovisual que transporta o olhar
do início do fim da segunda guerra na perspectiva de Jojo, um menino
de apenas 10 anos que, motivado pelo seu ‘führer’ Adolph Hitler
(Taika Waititi), sonha em ingressar para o exército alemão a fim de
colaborar com seu país para vencer a guerra. Ele só não contava o
quanto ele teria dificuldades para tal feito. E muito menos sabia que
sua mãe escondia algo que mudaria sua vida para sempre. Essa
premissa simples a princípio soa fácil demais do ponto de vista
narrativo, porém quando o filme se aprofunda nas questões morais e
psicossociais que a guerra traz, ele nos imerge num intenso
questionamento que permeia todo o longa: qual o real valor do
conflito?
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| Os 3 atores em ótima sintonia e excelentes performances! ;) |
Roman Grifiin Davis, que interpreta Jojo - o
protagonista da história -, consegue produzir uma empatia natural,
esbanjando carisma, competência, brandura e ternura na sua
impressionante atuação. Todo o longa é projetado para refletir sua
visão doce e pura de mundo, norteando suas convicções baseado em
um amigo imaginário, que é o próprio Hitler (interpretado de forma
cômica por Taika), que ele não conhece pessoalmente, porém irriga
sua fértil mente com palavras de encorajamento e provocando o
instinto voraz do menino em meio as circunstâncias apresentadas. E
no decorrer da perturbadora cena da guerra, o menino se vê a margem
de variadas questões e começa a notar um outro lado do mundo que
ele mesmo criou e que não conhecia, que são as dificílimas
posturas que ele precisa tomar com tão tenra idade. O nível da
imersão dessa película é tão profundo que cria um forte choque de
realidades entre o que é certo e o que na verdade deveria ser o
certo. A forte e cativante performance do jovem ator de apenas 12
anos lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro 2020 na categoria
‘Melhor ator em filme musical e/ou comédia’. Incrível, não?
^^
Scarlett Johanson interpreta a mãe de Jojo, ‘Rosie
Betzler’, e faz um contraponto rico e interessante dentro do
ambiente hostil em que se encontrava. Doce e de postura firme, se
opunha completamente a ideia do conflito. Sua brandura, atuação
precisa e a boa química com o jovem ator também lhe rendeu uma
indicação ao Oscar 2020 na categoria ‘Melhor atriz coadjuvante’.
Taika Waititi é um diretor que tem por característica principal
abusar da sátira e do sarcasmo. Além de seu personagem, que é
ninguém menos que o próprio Hitler (fomentado pelo imaginário do
menino, pois Jojo não o conhecia pessoalmente), vemos no teor da
comédia o ponto crítico necessário para apresentar, com muito
respeito, sua visão pessoal do que a guerra realmente traz. Sua
interação com Roman Griffin é simplesmente sensacional e cria
momentos hilários ao longo. Mas quando o longa precisa
repentinamente sair do tom mais leve, é aí que o diretor brilha. A
mistura de sentimentos gerados é de se encantar e emocionar pela
leveza e postura de se tratar de um assunto tão sério de forma tão
cuidadosa, sem ofender ninguém e indo no ponto exato onde ele queria
chegar, que é o questionamento: alguém realmente sai vitorioso com
esse conflito? As nuances dessa reflexão no filme certamente mexeram
com os membros da academia (mexeu comigo também), a ponto de
indicarem o longa ao Oscar 2020 na categoria ‘Melhor filme’. Além
disso, o capricho visual na bem posicionada fotografia e um roteiro
extremamente bem humorado e caprichosamente elaborado permitiram a
obra a concorrer em outras categorias também, como a de ‘Melhor
roteiro adaptado’, por exemplo.
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| Essa 'duplinha' funciona muito bem: Roman Griffin e Archie Yates. ^^ |
Nenhum lado na verdade vence
plenamente uma guerra. O nazismo inconsequente de seu maior líder
dizimou milhares de vidas. E não só esse regime como também o
pavor da Segunda Guerra só trouxe malefícios e mortes ao mundo.
Taika soube transpor plenamente seu argumento para a tela. Soube
dissertar e trazer essa discussão ao espectador com maestria. No fim
desse período tenebroso, famílias foram separadas, vidas destruídas
e vítimas psicossocialmente abaladas que nunca mais seriam as
mesmas. Não foram milhões de soldados em estatística. Foram
milhões de pais, filhos, esposos, netos. Não foram milhões de
judeus. Foram vidas únicas que nunca mais iriam poder voltar. Nunca
veriam novamente a luz do dia. Não veriam seus filhos crescerem. Não
veriam mais seus pais. A comunhão interrompida pela covardia. O ódio
destilado até no coração dos mais inocentes. E Jojo foi a
representação brilhante dessa inocência. Até se lhe abrirem os
olhos para a verdade que estava velada em sua frente. Quem for ver,
vai entender.
Enfim vale a oena ver o filme? RECOMENDADÍSSIMO!
O diretor Taika Waititi faz de “Jojo Rabbit” uma jóia que
reflete todo seu brilho e pureza, mas ao mesmo tempo possui toda sua
dureza e vigor declarados em um mesmo objeto. É daqueles filmes que
trazem sentimentos e produz reflexão das mais variadas formas. Como
disse lá no início, uma pérola rara encontrada ao mar. Vale demais
o ingresso!