INFILTRADO (Avaliação 3/5 - Bom!)
![]() |
| Sempre com 'cara de mau'. |
![]() |
| Pronto pra ação. |
Blog misto com intuito de unir cultura e conhecimentos bíblicos em um só lugar objetivando mostrar que entretenimento faz parte da vida de todos, incluindo cristãos. Se quiser se conectar para agregar ideias, se divertir e compartilhar valores que edificam, sejam muito bem-vindos a este canal! [Telegram: t.me/crisgama79] [Instagram / TikTok / YouTube: @crisgama79]
INFILTRADO (Avaliação 3/5 - Bom!)
![]() |
| Sempre com 'cara de mau'. |
![]() |
| Pronto pra ação. |
FREE GUY: ASSUMINDO O CONTROLE (Avaliação 4,5/5 - Excelente!)
![]() |
| Ryan Reynolds e Jodie Comer: ótima química! |
![]() |
| Taika Waititi traz um antagonismo peculiar. |
O ESQUADRÃO SUICIDA (Avaliação 4/5 - Muito Bom!)
![]() |
| Cena muito boa e com um desfecho hilário! |
![]() |
| Margot e sua Arlequina: perfeita! |
UM LUGAR SILENCIOSO - PARTE 2 (Avaliação 5/5 - Excelente!)
Segunda parte da franquia dirigida por John Krasinski é ainda mais
densa, sombria e melhor que a original. Vamos a análise! ^^
Quando o primeiro longa ‘Um lugar silencioso’ estreou em 2018,
ele veio com um proposta interessante sobre como lidar com seres que
só agem através do som, fazendo com que os protagonistas tenham de
fazer o maior silêncio possível para não serem atacados pelos
alienígenas que aparecem de forma voraz quando percebem a presença
de qualquer ser ‘estranho’ a sua raça. Sucesso de crítica,
público e bilheteria, o filme que teria uma só versão elevou o
horror a um outro patamar com uma ideia muito genuína e deu um novo
fôlego e frescor as produções do gênero, fazendo com que tanto a Paramount quanto seu diretor produzissem mais conteúdo sobra a
instigante saga da família Abbot e seus horripilantes algozes do
espaço.
![]() |
| Krasinski, que dirige o longa, tem cenas no início. |
E agora, em seu segundo capítulo, vemos a família novamente
embaraçada com o contexto narrativo dos acontecimentos pós primeiro
filme. Emily Blunt, Millicent Simmonds e Noah Jupe compõem outra vez o elenco dessa e trazem mais uma vez novos momentos de tensão e
uma ainda mais assustadora atmosfera deixada pelas marcas do passado.
Com uma ligeira apresentação no primeiro ato sobre como os
alienígenas chegaram a Terra, o filme mostra nos atos seguintes as
situações pós traumáticas do grupo em meio a desordem deixada pelos
seres. Agora sem o patriarca da família, que se sacrificou no
primeiro longa para salvar os seus, Evelyn Abbot (Emily Blunt), Regan
(Millicent) e Marcus (Noah) terão de enfrentar uma vez mais seus
maiores medos para sobreviver em meio a dor e o caos. E o que me
chama a atenção dentro dessa perspectiva narrativa do roteiro, são
as ótimas atuações de todo o elenco principal, que conduzem a
trama com maestria e dedicação ímpar. Conseguem transparecer o
clima extremamente tenso e obscuro reproduzido em cada gesto, em
cada olhar amedrontado, em cada ‘take’ mais severo. Tanto Emily
quanto Millicent e Noah transpõem claramente o pavor e a sensação
de urgência na profundidade de suas atuações. Em minha mais sincera
opinião, todos foram muito intensos e passaram muita credibilidade
em seus personagens, em colaboração com o excelente roteiro.
Com o enorme sucesso do primeiro longa, o visual dos sinistros seres
foi amplamente aprimorado em relação ao primeiro filme, inclusive
com uma fotografia ainda mais centrada nos mesmos. Tanto a direção
de fotografia quanto a de arte realizaram um ótimo trabalho
reproduzindo ainda melhor as cenas com os bichos, oferecendo mais
realismo e captando com melhor versatilidade a investida dos monstros
e as reações de terror que eles causam. Alguns acontecimentos bem
posicionadas e bem capturadas pelas câmeras colaboram intensamente
com a ação e a sensação de pânico gerada pelos protagonistas
humanos, fazendo com que o conjunto da obra seja ainda mais mais
denso e melhor que no primeiro longa.
![]() |
| Núcleo principal retorna com ótimas atuações. |
Cillian Murphy e Djimon Hounsou são as novas adições ao elenco e
o primeiro, que interpreta ‘Emmett’, protagoniza ótimos momentos
com ‘Regan’ (Millicent). Isso porque a atriz mirim tem problemas
auditivos de fato na vida real e isso faz com que a interação entre
os dois seja diferenciada, devido essa questão ser transportada para
o filme. As formas de comunicação, os gestos, todas as sensações
e emoções que estas causam no espectador são interessantes, ricas
e ajudam o público a criar ainda mais empatia pelos personagens, que
são elementos importantíssimos para a trama geral. Em algumas cenas
onde ‘Regan’ é deixada completamente sozinha ou isolada, é
possível observar o silêncio absoluto da sonoplastia do filme
focado nela, denotando ali medo, incerteza, insegurança e abandono.
Um detalhe tão curioso quanto perspicaz que deixa uma camada ainda
mais profunda a sua personagem. Achei genial isso.
Enfim, vale
a pena ver o filme? RECOMENDADÍSSIMO! Ainda melhor e mais intenso
que o primeiro, “Um Lugar Silencioso – parte 2” consegue elevar
o nível tanto da trama quanto das atuações que já eram muito boas
e trazer consigo uma boa camada de frescor a esse gênero que anda um
tanto quanto saturado nos dias de hoje. O drama dos personagens é
amplamente crível e é corroborado pelo cativante e bem alinhado
elenco. Se você curte esse tipo de filme, recomendo sem medo de
errar. Vale demais o ingresso!
SPACE JAM: UM NOVO LEGADO (Avaliação 3,5/5 - Muito bom!)
Novo longa da franquia ‘Space Jam’ é divertido, tem uma boa
dose de nostalgia, mas tem uma história extremamente simplória.
Vamos a análise! ^^
Quem aí no auge dos seus quarenta,
cinquenta anos não se lembra de ter assistido pelo menos a um dos
desenhos dos ‘Looney Tunes’? Todos esses personagens são
incrivelmente emblemáticos na memória de muitos de nós que já
passamos de um certa idade. Até porque fizeram nossa infância ser
mais alegre e prazerosa. E mesmo em uma era onde o ‘politicamente
incorreto’ operava, isso não tinha a menor importância para nós.
Parece que sabíamos bem, enquanto pequenos, a discernir de alguma
forma que aquilo era só um desenho. Nossas conexões neurais não
queriam imitar os atos. Apenas rir deles. E por isso esses
personagens se tornaram tão carismáticos e memoráveis em nossas
mentes e corações. E vê-los novamente em tela traz sim aquele doce
sentimento de infância reaquecido dentro de cada um de nós.
![]() |
| LeBron tem boa dinâmica com os Looney. |
Nessa análise, ater-me-ei somente em me posicionar a respeito do
filme, sem comparativos com a obra anterior – também muito
nostálgica. E há sim alguns pontos que quero destacar positivamente
sobre este. Primeiro, a Warner tem feito um incrível trabalho de não
‘justificar’ os personagens para esse novo tempo. Assim como
feito em “Tom & Jerry”, este também mantém fidedignamente
as características de cada um dos protagonistas desde seus tempos
mais remotos. E este acerto é sim uma das questões que já tornam o
filme agradável de se ver. Sem o ‘politicamente correto’ dos
dias de hoje, os mesmos podem realizar suas peripécias exatamente
iguais aos seus tempos de origem. As risadas gostosas de outrora de
um tempo que já não existe mais estão lá para deleite dos mais
puristas e dos que detém sua criança interior avivada dentro de si,
sem deixar de saber que já é um adulto. Mais uma vez muito
assertiva a decisão do estúdio em deixar mesmo tudo com era, mesmo
tendo de ‘cancelar’ o personagem ‘Pepe Le Gambá’ por motivos
pra lá de polêmicos, infelizmente.
Outra questão bem
colocada no longa é a enxurrada de easter-eggs (as famosas
referências) que brotam quase que o tempo inteiro durante a
projeção. Dizer que isso não foi um belíssimo de um acerto, ao
meu ver, é jogar contra o próprio time. Eu mesmo fiquei por vários
momentos observando os cenários tentando ver quantos personagens eu
conseguia identificar – tanto antigos quanto atuais – que
encantaram e encantam gerações. Provavelmente terei de rever para
poder fazer jus ao meu desejo de procurar por todas as que eu puder
encontrar. Vi ‘Scooby-Doo’, ‘Tu-Tu-Tubarão’, ‘King Kong’,
‘Space Ghost’ e por aí vai. Esses são os que são bem notáveis,
juntamente com outros. Há dezenas delas, provavelmente. E assim como
foi em “Jogador Número 1”, foi bem entusiasmante buscar por
essas referências. ^^
![]() |
| Os Tunes em CGI: fofos. |
A introdução dos icônicos personagens em CGI foi bem feita e
funcional. Até porque não tiraram a essência dos ‘cartoons’
produzindo toda a película nessa tecnologia. Usaram em boa parte do
tempo a animação convencional (com técnicas avançadas obviamente)
mas sem retirar o charme dos coloridos traços de antes. E poder ver
LeBron James em animação tradicional foi, ao meu ver, a cerejinha
do bolo. Inclusive com as características inerentes aos desenhos
antigos, como ficar ‘amassado’, ‘pequenino’, entre outras
peculiaridades desses. Uma opção dos produtores que
aprovei e que se desenvolveu muito bem, por sinal.
Agora, a
despeito da história e do roteiro, o longa deixa sim um bocado a
desejar. Mesmo sendo um filme família - com uma pitada de moral no
fim - e possuindo elementos que fazem notáveis ligações com os
dias atuais (no que concerne principalmente a tecnologia, onde o
filho de LeBron James é um pré-adolescente que sabe usar
programação e produzir jogos, numa clara identificação com a
‘galerinha conectada’ de hoje), o filme não cria as melhores
conexões entre os personagens humanos e acaba deixando tudo um pouco
simples demais. As melhores cenas sem dúvidas ficam por conta da
interação de James com os Looney, principalmente as que ele se
torna um desenho que nem eles. E mesmo com a enorme previsibilidade
de seu fim, não tira o fato de que uma melhor dose de drama e
adrenalina fariam muito melhor a trama familiar. Talvez se eles
perdessem o jogo (como forma de plot-twist) e tivessem de arrumar um
outro jeito de resolver a situação seria uma reviravolta bem legal
de se adicionar a narrativa. Ia introduzir um conflito maior a trama que só os Looney poderiam solucionar. Só uma ideia mesmo.
Acho que ficaria legal.
Enfim, vale a pena ver o filme? MUITO
RECOMENDADO! O fator nostalgia é sim a maior força que move “Space
Jam: Um Novo Legado”. Mesmo com certos escorregos do roteiro, o
filme consegue se sustentar com as inúmeras trapalhadas dos queridos
personagens e transformar isso em altas gargalhadas em família. Se
vais esperando história muito elaborada, esse filme não é pra
você. Mas se queres umas boas risadas e diversão descompromissada,
acredite, pode ir que vais ficar satisfeito com o resultado. Vale sim
o ingresso! ;)
VIÚVA NEGRA (Avaliação 4/5 - Muito bom!)
Longa que faz de certa forma uma homenagem a personagem icônica de
Scarlett Johansson é divertido e bem explicativo sobre o passado de
sua personagem. Vamos a análise!
Não há como negar: ao longo
das três primeiras fases da UCM (Universo Cinematográfico da
Marvel) a Vingadora ‘Natasha Romanoff’ foi um dos grandes
destaques de toda essa saga que contou a trajetória das ‘Jóias do
Infinito’. E sua excelente intérprete, que já concorreu e venceu
alguns Oscars, se dedicou com muito amor e carinho a essa que se
tornou, além de um dos ‘Vingadores’ originais, um ícone com
grande ‘status’ tanto para esse universo quanto para o público
em geral. Pedir um longa solo que contasse um pouco de sua história
e que fizesse jus ao seu legado era o mínimo que elas (a atriz e a
protagonista) mereciam. Dona de um charme e um carisma ímpar,
Scarlett não só imprimia essas características na personagem, como
também uma versatilidade de realmente se aplaudir de pé. Sua
performances foram tão bem conduzidas que haverá sempre espaço na
memória de todos para se lembrar de sua tão adorada espiã na
Marvel. E como grande mérito e muitos pedidos de fãs durante anos,
estamos aí diante de seu filme para deleite de todos e fazendo
justiça de longa data a essa trajetória.
![]() |
| Scarlett e Florence: ótima química! |
Levando-se em consideração que esse universo dos cinemas é
paralelo ao dos quadrinhos, quero aqui deixar claro que vou expressar
minha opinião sobre o filme em si. E para começar quero destacar,
além da já citada versatilidade de Johansson, dois dos três
protagonistas novos que, ao meu ver, trouxeram importantes
contribuições para o desenvolvimento da história e podem ser bem
aproveitados no futuro no UCM. Me refiro, em um dos casos, a ‘Yelena
Belova’, interpretada pela atriz Florence Pugh. Além de charmosa,
conseguiu transpor presença em tela e personalidade a sua espiã.
Fez bonito apresentando ao público a mais nova integrante desse
universo e certamente aparecerá nas próximas fases dessa saga, não
só pela continuidade da personagem na história, mas também por
conta de seu carisma transparente. E quero considerar aqui também o
segundo, que é o personagem de David Harbour, ‘Guardião
vermelho’. Bem posicionado em tela, deixa a curiosidade de se
conhecer mais sobre os passos desse tanto em seu passado quanto no
futuro da Marvel nos cinemas. O ator conseguiu ampliar seu carisma com
sua ótima e bem exposta interpretação, que faz considerar sim
vê-lo em alguma série ou até mesmo em algum futuro filme. Acho a
hipótese tanto plausível quanto com conteúdo para mais. É
aguardar pra ver o que pode ser feito mais pra frente. ^^
![]() |
| Vilão 'Treinador': mal aproveitado. |
As cenas de ação contínua e realizada em sua maioria com efeitos
práticos (lê-se sem muita computação gráfica) transpuseram e
muito a lembrança (no meu entendimento, boa por sinal) ao longa da
fase dois do MCU ‘Capitão América e o Soldado Invernal’. Com
lutas bem viscerais, os combates são bem coreografados e remetem
sempre ao bom padrão da Marvel em seus filmes. A fotografia nos
momentos mais desconcertantes (como nas cenas em CGI) produzem um
ótimo visual também. No entanto, uma das minhas ressalvas talvez seja por conta do vilão
‘Taskmaster’ (Treinador, em português). O fato dele ser um tanto
quanto diferente dos quadrinhos não foi o que me incomodou de fato.
O seu grau de periculosidade sim. Como é um vilão ameaçador, por
conhecer e guardar as características de luta de todos os seus
adversários, acredito que a solução que deram para o personagem
foi fácil demais para o seu nível. Certamente ele poderia ter dado
um pouco mais de trabalho a ‘Natasha’, para fazer jus ao seu
intelecto e sagacidade. Um pouco mais de película mostrando mais de
suas habilidades nesse caso ajudariam muito a trazer esse conteúdo
para o antagonista. Uma pena. Queria mesmo que ele fosse mais
‘difícil’, por assim dizer.
Uma outra falta relevante que
considero destacar é o fato de não termos um desfecho adequado para
a sub-trama iniciada logo nos primeiros minutos do longa de ‘Natasha’
com ‘General Ross’ (vivido pelo ator Willian Hurt). Narrativa
essa derivada dos eventos de ‘Capitão América: Guerra Civil’, o
final nos remete a uma enorme lacuna que não foi encerrada. Não
houve explicação de como a protagonista escapou do comboio de Ross
e nem muito menos o que aconteceu após esse evento, deixando em
aberto uma importante explicação sobre essa parte da história da
nossa querida espiã. E assim como disse no parágrafo anterior,
alguns minutos a mais no filme talvez trouxessem um desenvolvimento
melhor tanto ao antagonista quanto a esse desfecho.
Enfim,
vale a pena ver o filme? MUITO RECOMENDADO! Mesmo com a ressalva do
vilão e da sub-trama, “Viúva Negra” fecha com maestria o arco de Natasha
Romanoff no UCM e abre inúmeros caminhos para os novos
protagonistas. Uma real e bela homenagem - não vista em ‘Vingadores:
Ultimato’ - tanto para essa incrível personagem quanto para a
atriz que viveu por tantos anos o papel. A cena pós-créditos é
melancólica e, ao mesmo tempo, olha para o futuro da saga Marvel nas
telonas. Se curte esse universo estendido, é diversão certa para
você. Vale muito o ingresso!
VELOZES E FURIOSOS 9 (Avaliação 3,5/5 - Muito bom!)
Com uma dinâmica cada vez menos realista e cada vez mais voltada
para o heroísmo, novo filme da franquia convence, diverte, mas dá
alguns sinais de desgaste. Vamos a análise! ^^
Seja sincero:
como não amar (ou odiar, como queira) um franquia que está em seus
longevos 20 anos mais de existência e que a cada novo filme seus
lucros só crescem? Tornar um filme que começou tímido, como um
‘duelo de carros tunados’ em uma das maiores e mais bem
remuneradas experiências da atualidade não é para qualquer um não.
A bem da verdade, os projetos foram mudando muito de uns 4, 5 longas
para cá e perdeu um pouco a ‘cara original’ que ele tinha. Mas,
por outro lado, se isso fez com que a franquia decolasse, porque não
mexer não é mesmo? E para os roteiristas Chris Morgan e Gary Scott
Thompson, que tem dividido essa tarefa já de longa data, mudar não
só ressignificou a franquia como também deu ‘status’ de grande
produção a mesma. Dwayne Johnson, Jason Stathan, Charlize Theron
são alguns dos grandes nomes do elenco estelar que passou ou estão
passando pela mesma. A renovação deu tão certo que, além do
elenco principal, pagar cachês enormes tem retornado bons resultados
para a Universal. E você pode estar se perguntando: o que essa leva
de filmes tem que a torna tão longeva? Eis que mais uma vez
tentaremos destrinchar abaixo.
![]() |
| Vin Diesel e Michelle Rodriguez: ótimo casal! |
Acho que o primeiro e mais importante ponto a se destacar é o fato
de que o roteiro não faz questão de ser enxuto, coerente ou
massivamente realista. Em todo o tempo que o filme dialoga com o
espectador ele não quer em nenhum segundo se mostrar com os pés no
chão. Ele ri de si mesmo e produz situações sobre-humanas que
fazem certos heróis ficarem com muita inveja. E é exatamente isso
que o torna tão atrativo. O público já comprou a galhofa produzida
pelos filmes. E como isso traz uma certa camada psicológica de
gostar de ver aquilo que não se pode fazer na vida real - e a
produção já percebeu e entendeu isso -, a obra funciona
perfeitamente bem para o público em geral. Nada de filosofias de
vida. Nem tampouco expor uma cena de ação que não destrua as leis
da física. É a essência do que se chama surreal na forma mais pura
da palavra em questão (rsrs).
Segundo ponto, e creio eu não
menos importante: o elenco estratosfericamente carismático. Não há
como negar que a equipe de heró...ops, de corredores, tem em seus
nomes pessoas com altíssimo nível de graça e presença em tela.
Vin Diesel, Tyresse Gibson, Michelle Rodriguez, Ludacris entre outros
nomes são fundamentais para o desenvolvimento da história e da
narrativa. A grande ‘família Toretto’ tem enorme entrosamento em
cena e a química entre eles é de excelente a quase natural, visto
que todos ali são amigos e convivem no ‘set’ de filmagens já há
anos. Daí adicionam-se outros bons nomes de peso e então temos a
fórmula ideal do sucesso de uma franquia.
![]() |
| Irmãos de sangue em lados opostos. |
E mesmo assim isso faz com que o nome ‘Velozes e furiosos’ não
se desgaste? É claro que não. Após nove filmes e um ‘spin-off’
(filme derivado que não faz parte da saga principal), você já
consegue ver a fórmula sendo desacelerada, por assim dizer. E isso
me fez notar pelas duas horas e quase trinta minutos de projeção.
Mesmo com as motivações do irmão de Dom, Jakob (vivido pelo ator
John Cena), sendo bem explicadas por sinal, e o furo de roteiro do
reaparecimento do personagem Han (vivido pelo ator Sung Kang) ser
sumariamente tapado, as características da série de filmes que o
tornaram um sucesso comercial já começam a ver a necessidade de uma
ligeira revisão. Não que não sejam divertidas. São sim. Mas já
demonstram certo cansaço visual pela massiva repetição das
peripécias incansáveis dos personagens. Se por um lado isso se
sustentou bem durante os filmes anteriores que buscaram essa visão,
a partir de agora já necessita de uma certa complementação. Talvez
se o filme fosse um pouco mais enxuto isso já seria um bom começo.
^^
Enfim, vale a pena ver o filme? MUITO RECOMENDADO! Ainda
tendo a franquia alguma ‘lenha’ para queimar – se souber se
reinventar, “Velozes e Furiosos 9” se sustenta pelo seu vasto,
longevo e carismático elenco e pela sua trajetória de ascensão que
levou seu nome ao topo das franquias mais bem sucedidas da história.
Uma marca que não se pode negar que é impressionante. Mesmo já se
desgastando um pouco, os números de bilheterias ainda darão uma
sobrevida por um bom tempo a mesma. De todas as formas, acredito que
o filme ainda diverte e vale muito o ingresso sim!
NETFLIX: A FAMÍLIA MITCHELL E A REVOLTA DAS MÁQUINAS (Avaliação 4,5/5 - Excelente!)
Longa produzido pela Sony Pictures Animation e lançado em 30 de Abril na Netflix é, além de divertido, cativante e convence pelo todo.
Vamos a análise!
Filmes animados sobre famílias heroicas
certamente você já deve ter visto alguns. Mas, e quando é uma
família totalmente sem jeito e desengonçada? Assim são os
‘Mitchells’. Pessoas completamente diferentes convivendo em um
mesmo lugar tendo que lidar com o que podemos chamar de o ‘apocalipse
das máquinas’. Mas há algo de muito valioso nesse longa e a
mensagem que ele passa é interessante e chamativa. Vejamos o porquê
em partes abaixo.
Em uma primeira vertente de análise, falando
sobre a família que protagoniza o filme (afinal, são 2 camadas que
compõem a trama, uma em escala global e outra mais intimista, dentro
desse seio familiar), podemos categoricamente dizer que há várias
situações facilmente identificáveis por vários tipos de público:
o pai ‘a moda antiga’, que tem dificuldades em lidar com
tecnologia e se incomoda com todos usando dispositivos sem parar. A
mãe, mediadora da família, lidando com os impasses que pai e filha
adolescente tem de travar por serem de épocas diferentes
basicamente. A dita filha adolescente, cujos sonhos e anseios são
incompreendidos pelo pai (e por isso as discordâncias). E o
caçulinha da casa, com sua personalidade em formação. E tudo isso
chama a atenção justamente pelo rico desenvolvimento desses
personagens. Antes incompreendidos entre eles, chamam para si as
responsabilidades quando tem de enfrentar um inimigo em comum. E
mostram a necessidade de ter de aprender a lidar com as diferenças
de cada um com respeito e amor. E essa sub-trama, por assim dizer,
revela que, como seres diferentes uns dos outros, devemos sempre
procurar equilíbrio no respeito mútuo e na compreensão alheia,
pois nunca sabemos a hora em que realmente precisaremos uns dos
outros. Achei isso muito bem retratado no longa e traz justamente
essa reflexão sobre família: pessoas muito diferentes e imperfeitas
convivendo juntas que tem de somar esforços para se respeitarem e se
olharem como indivíduos únicos. E quando isso não acontece, as
rupturas familiares acabam ganhando força e desfazendo vários
desses núcleos. Ótima contextualização sobre questões tão
delicadas e, ao mesmo tempo, tão pontuais e importantes. ;)
![]() |
| Família complicada e engraçada. rsrs |
Tratando agora da segunda vertente que, na verdade, compõe a trama
principal. Somos tão obcecados por tecnologia nos dias atuais que
nem nos damos conta que por vezes, esquecemos do mundo exterior e nos
ligamos profundamente aos dispositivos. Só isso já traz uma bela
reflexão sobre como anda nosso comportamento hoje em dia. Esquecer
um celular, perder ou coisas do tipo nos deixam certamente de ‘cabelo
em pé’. A verdade é que estamos ‘presos’ de certa forma a um
sistema que ao mesmo tempo que nos conecta, nos limita. E isso pode
ser visto claramente quando da revolta das máquinas, as pessoas
simplesmente ficam desesperadas por perderem o ‘wi-fi’ (sinal da
rede ou internet, como queiram). Aliás, é aqui que a trama
principal brilha: e se por acaso a sua máquina, por se sentir inútil
ou obsoleta, resolver se voltar contra você? Ou talvez, quem sabe,
contra a humanidade? Um dispositivo inteligente de conversação
(tipo ‘alexa’, só que em forma de aplicativo de celular) se
sentiu afrontado e desiludido por ser ‘trocado’ por outro mais
robusto e em forma de robô, que decide usar sua inteligência
artificial para controlar esses novos e assim, destruir a humanidade
por ter sido sumariamente ‘abandonado’. E é a partir daí que se
deslancham cenas das mais variadas e cômicas possíveis, onde atos
de heroísmo são misturados com cenas pra lá de engraçadas,
insanas e surreais de ação e mescladas com o desenvolvimento da
sub-trama tratada no parágrafo anterior. O resultado disso é uma
animação competente, divertida - com vários clichês, obviamente
-, mas que funciona como ‘alívio’ e ‘alerta’ para uma
sociedade de consumo que só vive em seus dias conectada. Uma maneira
leve e interessante de repensarmos para onde nossas ações e
escolhas podem estar nos levando, ou seja, para uma desconexão total
do mundo a nossa volta. Muito bem sacada essa narrativa!
![]() |
| E se as máquinas se voltassem contra nós? |
Criada e concebida pela mesma equipe que trabalhou em “Homem-Aranha
no Aranhaverso”, pode-se perceber a qualidade e a fluidez da
animação no traço característico que deu o Oscar de ‘Melhor
Animação’ de 2019 ao ‘Cabeça de teia’. Muito rica, detalhada
e colorida, ela encanta justamente por mesclar ações não só com
palavras, mas visuais, produzindo uma maior ênfase em determinadas
cenas, o que faz destacar e dar uma maior interação da situação
ocorrida no momento. Acho o estilo artístico desse conceito muito
bacana e, se bem utilizado, pode elevar e muito a evolução dos
acontecimentos narrados como um todo. Parabéns a equipe de animação!
:)
Enfim, vale a pena ver o filme? RECOMENDADÍSSIMO! A mistura
conceituando os atuais vícios de tecnologia com dilemas familiares
são o que compõem essa deliciosa e qualificada combinação em
forma de sétima arte. “A família Mitchell e a revolta das
máquinas” traz todas essas questões com leveza e coerência para
as telas e tanto encanta quanto satisfaz pela forma ágil e, ao mesmo
tempo, divertida com a qual aborda tais assuntos. Se curtes animação,
podes assistir que é certeira para você, caro leitor. Vale demais
dar uma conferida! ;D
DISNEY PLUS: CRUELLA (Avaliação 5/5 - Excelente!)
Longa apresentando a história de mais uma vilã da Disney convence,
diverte e mais uma vez atesta a maestria da ‘Casa do Mickey’ em
produzir bons roteiros. Vamos a análise! ^^
Personagem
recorrente da franquia ‘101 Dálmatas’ como antagonista dos
famosos cachorrinhos, ‘Cruella’ ainda não havia recebido
esse tipo de atenção outrora, de ser posicionada como centro das
atenções da sua própria história. Nunca antes contada, o
magnifico roteiro vai abordar, de uma forma brilhante, toda a
trajetória desde a infância e mostrar em um texto cheio de
reviravoltas interessantes, os motivos pelos quais a personagem se
tornou o que conhecemos desde então. Começando pelo seu impecável
figurino até todas as camadas psicossociais que remontam a
personagem, tudo parece estar muito bem alinhado em uma muito rica
trama que se desenvolve de forma ascendente e cria mais uma vez a
enorme empatia do espectador com a antagonista, justamente por conta
das várias camadas de construção de sua personalidade e
transtornos que ela passou durante toda sua vida.
Por vezes
escolher um ator/atriz para algum papel pode exigir certos esforços
para buscar equilíbrio entre o que pode dar certo e o que realmente
vai acertar. E a escalação inequívoca de Emma Stone não só
corroborou para o filme ser o que é, como também atestou o esmero e
cuidado da atriz em interpretar a famosa vilã. Indiscutivelmente
carismática em tela, transborda simpatia e esbanja talento em uma
atuação que, de tão bem pontuada, pode lhe render até mesmo uma
indicação ao Oscar 2022. E não estou sendo modesto. Ela
impressiona durante toda a projeção impondo uma carga dramática a
personagem de forma fluida e consistente e até mesmo quando precisa
de algum fôlego para as cenas cômicas, tudo permanece em perfeito
equilíbrio, alinhado a exuberante forma de como a história é
contada. E o que quero profundamente expressar aqui é o quanto tudo,
absolutamente tudo – roteiro, trilha sonora, figurino, efeitos –
funciona de forma extremamente conectada e alinhada em toda a
engrenagem do filme. Você sente que a atriz faz a personagem evoluir
ao longo da trama. E o conjunto da obra é o que mais contribui para
isso. Magnífico!
![]() |
| Emma Stone: formidável! |
E como toda engrenagem que se preze precisa realmente estar em
perfeito funcionamento, o roteiro, conforme já citei anteriormente,
consegue elevar o patamar da atuação de Emma. Gostaria de saber
como funciona a seleção para roteiristas da Disney, pois creio que
devem ser através de rigorosos critérios. A arte de se escrever um
bom roteiro que faça o filme e os personagens alavancarem não é
tarefa nada fácil. Mas cada ato em ascensão, cada diálogo bem
colocado, cada drama bem apresentado, além de fazer com que o
espectador se prenda a história, faz também com que tanto o
protagonista brilhe quanto seus coadjuvantes e até seus
antagonistas. E isso se reflete muito bem nos coadjuvantes ‘Horácio’
(Paul Walter Hauser), ‘Jasper’ (Joel Fry) e ‘John’ (Mark
Strong). Se o brilhantismo de Emma é evidenciado pelo bom roteiro,
esses três coadjuvantes brilham também tanto em atuação quanto em
construir a história e o caráter da personagem. São maravilhosos
também em tela e fazem exatamente, ao meu ver, o que um bom
coadjuvante deve fazer: contribuir para a construção e evolução
da trama principal. E os três atores fazem isso muito bem também,
assim como a poderosa antagonista dessa história.
Dizem que
todo protagonismo em um filme é elevado quando se tem um opositor a
altura. E a ‘Baronesa’ de Emma Thompson não só enriquece a
trama como transborda em charme e vilania. É a perfeita junção de
uma atriz renomada com a força do papel que lhe fora oferecido. É
poderosa. autoritária, imponente, arrogante e perspicaz. Faz um belo
arquétipo da protagonista antes dela se transformar de fato em quem
ela é. E sem dúvidas de mesmo modo esbanja talento e bagagem
profissional, depositadas com esmero na incômoda personagem.
![]() |
| A excelente antagonista 'Baronesa'. |
Não poderia deixar de destacar aqui a harmoniosa trilha sonora,
situada nos anos de 1960/70 e que refletem toda a ambientação da
película, destacando cenas, criando conexões magníficas e
interações mágicas entre os personagens. Inclusive impondo
dramaticidade na abordagem de temas como dualidade, abandono e
transtornos de personalidade, inerentes a personagem principal. É
como disse, tudo nessa película é simetricamente bem empregado e
faz jus ao grandioso legado Disney de qualidade de suas obras. ^^
Enfim, vale a pena ver o filme? RECOMENDADÍSSIMO! Seja pelo
majestoso roteiro, ou pelas excelentes atuações, “Cruella”
reproduz mais uma vez o quão cuidadosa a ‘Casa do Mickey’ é em
relação as suas propriedades intelectuais. A sinergia diante de um
conjunto tão bem alinhado em mais um projeto tão ousado, por
destacar e humanizar mais uma de suas vilãs, pode ecoar sim em
alguma indicação (ou algumas indicações) ao Oscar 2022. Se és fã
dos filmes da Disney, vá certeiro pois é diversão garantida. Vale
muito o ingresso!
HBO MAX: MORTAL KOMBAT (Avaliação 3/5 - Bom!)
Com seus prós e contras, reboot
da famosa franquia de jogos alcança o feito de divertir sem ser
plenamente convincente. Vamos a análise! ^^
A franquia de
jogos de luta ‘Mortal
Kombat’ se revelou pela primeira vez ao mundo no ano de 1992, com
dinâmicas extremamente sofisticadas para época. Com combates
realistas e mecânicas inovadoras, foi um grande sucesso de público
e crítica,
acumulando algumas belas polêmicas também. Justamente por conta do
seu contexto, onde lutadores criados digitalmente (através de
pessoas reais) digladiavam até a morte em
busca de ser o grande campeão do torneio de mesmo nome, fizeram com
que vários órgãos fiscalizadores daquele período se levantassem
em prol de uma legislação mais rigorosa para os games. Sim, foi por
causa desse game que foi criado os limites de faixas etárias nos EUA
para procurar manter o eixo entre o que se podia considerar adulto ou
não.
Mas nem todas as polêmicas que o game abraçou fizeram
ele deixar de ser o sucesso que foi e que ainda é. Tanto que ainda
na década de 90 foram lançados 2 filmes em sequência (sendo o
primeiro o melhor deles e o mais relevante até hoje) e vários
outros produtos que tornaram a marca em uma das mais fortes do
mercado de games. Embora a empresa que criou o game não soube
administrar de forma coesa o que ela tinha em mãos e embarcou em
diversos jogos (principalmente
após o MK4 em diante) que não
foram tão bem e oscilavam muito em qualidade, era o nome da franquia
que ainda se sustentava no mercado. Até que, após um hiato, a
Warner, que estava já interessada em entrar no mercado de games,
convida os criadores do jogo original para trabalharem em sua divisão
de jogos, onde encontraram
o espaço necessário para fazer o game se tornar novamente tão
relevante quanto ele havia sido no início. Chega as prateleiras em
2011 o MK9 com uma
total reformulação visual, porém
mantendo as antigas mecânicas que
fizeram dele grande e o
game voltou ao topo novamente no quesito relevância e hoje é mais
uma vez um dos destaques
no mercado. E é aí que entramos em definitivo para falar do reboot
da franquia nos cinemas,
pois todo esse passeio sobre um pouco da história de MK era
necessário para se situar esse filme de 2021, já
que ele foi lançado justamente pela Warner.
![]() |
| Liu Kang e Kung Lao. |
Já havia rumores sobre a
produção desse filme há tempos, porém sua falta de informação
chegou a parecer que o mesmo nunca iria sair. Mas agora ele já está
entre nós e posso dizer que como um pouco conhecedor da franquia, o
misto alegria pelo ótimo fan service e o roteiro adaptado
para inserir um personagem que não existe em nenhum dos jogos me fez
ter reações em extremos opostos. Vibração e frustração me
acometiam a cada novo instante e a cada nova cena que faziam, pois
como disse lá no início, vi prós e contras, dos quais agora posso
destacar aqui para vocês, queridos leitores.
Como fã de
games, não pude deixar de perceber o cuidado em manter a
caracterização dos personagens muito bem feita. A escolha dos
atores (mesmo com o baixíssimo orçamento para o filme)
em sua maioria foram satisfatórias e souberam apresentar seus
lutadores de forma digna. Os detalhes que identificam cada um em seus
figurinos me trouxe boas lembranças dos jogos, e é isso que um bom
fan service tem de ter.
Os efeitos especiais, mesmo para o
baixo orçamento, também ajudam e muito nessa caracterização. São
simples, porém são muito bem posicionados e colocados na hora
correta e da maneira mais adequada para cada um dos lutadores,
fazendo com isso um grande trabalho de manter a identidade visual de
cada um intacta. Os golpes, as magias, os ‘fatalities’ e tudo
mais que cerca esse universo estão lá com certo esplendor e
com um toque de fidelidade até de certa forma alto.
Realmente nesse quesito puseram tudo em seu devido lugar para os fãs
mesmo. O que faz a
comunidade gamer ser grata por isso. ;)
Outro ponto que produz
vida na película são as coreografias de luta. Muito bem executadas
e pontuadas (até porque alguns ali que protagonizam o filme são
dublês para cenas de luta e ação mesmo), fazem-nos contemplar
diversos bons momentos de confrontamento em tela. E mais uma vez
contribuindo para a identidade visual de cada um deles, pois os
estilos de luta foram preservados em cada um dos personagens e
ajudaram também para a produção do fan service. ^^
![]() |
| Lord Raiden. |
Mas o grande antagonista desse
filme não é exatamente seu principal vilão, Shang
Tsung (bem interpretado
pelo ator por sinal), e sim o roteiro adaptado desse longa. Criado
para inserir o protagonista Cole Young, que nunca apareceu em nenhum
dos games, trouxe a mim a sensação de que queriam empurrar goela
abaixo do espectador e do fã algo que ele não exatamente gostaria.
O primeiro ato do longa é muito bacana, inclusive contando com boas
cenas a rivalidade dos clãs de Scorpion e Sub-Zero. Porém
é ao apresentar Cole que o longa, ao meu ver, desanda na história.
Sem o carisma que vários protagonistas da franquia tem, ele não
funciona no contexto, não cria empatia com o público e é conectado
a um personagem extremamente importante de uma maneira que não faz
nenhum sentido. Ele ganha um protagonismo totalmente sem brilho
(sendo que a franquia tem, além do Liu Kang como principal, outros
que facilmente brilhariam tranquilamente com o protagonismo, como o
caso de Raiden, por exemplo). E
nesse ponto é meio
decepcionante ver em como os produtores/roteiristas transformam a
obra original em uma gama de tramas distintas só pela alegação de
‘alcançar um público que seja fora dos games’. Esse é um
argumento que não faz sentido quando se tem uma franquia com um nome
forte o suficiente para se sustentar em tela sozinha. O público já
iria pela marca (que vende milhões nos games e tem peso na
indústria) e não havia nenhuma necessidade de ‘complementação’.
E digo: a história que
foi contada e a trama não foram de todo ruins e seriam perfeitamente
plausíveis para o público geral (até a ideia de se ter o símbolo
do torneio no corpo passava batido – isso não existe nos games
também). Mas é como eu disse em algum outro ponto desse texto:
vibração e frustração bateram e oscilaram muito forte por isso.
Lamentável.
Enfim, vale a pena ver o filme? RECOMENDADO! Mesmo
com um roteiro não tão convincente (muito
pela ideia de um desconhecido protagonista e de insistentemente se focar nele, deixando os do jogo um bocado de lado),
“Mortal Kombat” tem sim seus méritos e encantos pelo seu visual
funcional, suas cenas de luta intensas e bem marcadas, seus
ótimos figurinos e, no
caso do Brasil, pelo ótimo trabalho na dublagem, que soube fazer
muito bem seu dever de casa. Se é um ávido fã da franquia e de sua
história, vá preparado, pois será
uma mistura mesmo de sensações. Mas, no geral, acredito muito que o
quesito diversão acabe por ser o fator que possa agradar. Se
conseguir curtir o todo, vale sim o ingresso!
REFLEXÃO BÍBLICA
JUDAS E O MESSIAS NEGRO (Avaliação 4/5 - Muito Bom!)
Luta por direitos humanos e preconceito racial é o principal tema
desta obra cinematográfica. Vamos a análise! ^^
O ano é
1968. Um tempo de incertezas e injustiças que ficaram na memória de
muitas pessoas. Nesse ano se levanta um homem de coragem, Fred
Hampton e funda o Partido dos Panteras Negras. Uma resposta a
sociedade americana da época, extremamente elitista, partidária e
racista. A criação do grupo intenta fortalecer a comunidade negra
dos EUA, mais precisamente do Estado de Illinois. Um movimento que
lutava para que um mundo mais justo e mais igualitário fosse
definitivamente estabelecido. O movimento começa a ganhar forma e
força. E com isso, começa a trazer a desconfiança das autoridades
(o FBI era formado somente por pessoas de pele branca naquele
período). Até o momento que na luta por justiça e igualdade
social, o próprio FBI usa um camarada negro para se infiltrar no
Partido e colher informações. O desfecho é parte que muitos livros
de História preferem fazer questão de esconder.
![]() |
| Daniel Kaluuya: Grande atuação! |
Fred Hampton, o homem por trás dessa empreitada, era jovem mas
tinha um ideal muito bem definido em sua mente e seu coração:
combater a tentativa de reprimir pessoas que, por conta de sua cor de
pele, não tinham os mesmos direitos que outras. Ele se tornou uma
ativista de respeito em seu tempo, por sua forma convicta e seus
projetos bem fundamentados. Ajudava crianças de seu povo todos os
dias com alimentação e ensino. Tinha visão plena de igualdade.
Muito bem interpretado por Daniel Kaluuya, o ator consegue transmitir
com maestria e perfeição toda a coragem e bom siso desse que só
queria, de certa forma, uma sociedade melhor. Kaluuya simplesmente
brilha em todo o tempo da projeção retratando parte também de sua
história, porque não assim dizer (Hollywood também era muito
preconceituoso com atores negros e houve por muitos anos uma enorme
segregação por parte da indústria do cinema com isso) e demonstra
claramente a sua competência em atuar e o motivo pelo qual ele
merecidamente levou o Oscar 2021 como ‘Melhor ator coadjuvante’
nesse filme. Com alguns bons trabalhos no currículo, como ‘Corra’
(2017) e ‘Pantera Negra’ (2018), a consagração finalmente veio
em 2021 com esta performance. Parabéns!
Lakeith Stanfield também protagoniza outro importantíssimo
contraponto dessa história. Ele interpreta Bill O’Neil, um jovem
de 18 anos que, preso a época por ser um ladrão de carros, teve seu
direito a liberdade com uma intrigante e incômoda condição: se
infiltrar no Partido dos Panteras Negras e levar informações ao FBI
sobre tudo o que se passava ali. Foi o grande pivô da covardia que
deu fim (temporário, talvez) a justa luta de tantos que ali criam em
prol de um povo tão sofrido e perseguido naquele tempo. Somente
muitos anos depois foi descoberto seu envolvimento nos acontecimentos
que se sucederam e através de um entrevista que dera no ano de 1989,
ele conta com mais detalhes sobre o ocorrido naquele tempo e como
tudo atingiu o doloroso desfecho. Aqui também o ator brilha com uma
sólida interpretação de algoz e traidor de seu próprio povo.
Consegue reproduzir cenas grandiosas tanto de alívio cômico (mesmo
em meio aquela tensa situação) quanto momentos de confrontamento
pessoal quando precisa executar o plano do FBI pra se manter em
liberdade. Magnífico!
![]() |
| Bill (Lakeith Stanfield): traidor. |
A estética do longa reproduz de forma fidedigna todo o contexto da
década de 60 com muita propriedade. A fotografia se encarrega de
enaltecer os figurinos e toda ambientação e tensão dessa narrativa
sem perder o foco do que realmente era o mais relevante: a
dramatização de um evento histórico que contribuiu muito para que
pudéssemos chegar ao que temos em nossa sociedade hoje. Talvez ainda
não seja o ideal. Mas certamente trouxe uma pequena luz a um mundo
que ainda é tão injusto e tão desigual.
Enfim, vale a pena
ver o filme? MUITO RECOMENDADO! Indicado também na categoria de
‘Melhor filme’ do Oscar 2021, “Judas e o Messias Negro”
reproduz um cenário que se repete por muitas gerações: a de que
somente com lutas conseguiremos corrigir ou, ao menos, minimizar
tantas situações extremamente desproporcionais que vivemos. Prova
que a batalha diária pela vida e pela igualdade é um terreno áspero
que temos de fato que trilhar. Se interessa a você, querido leitor,
conhecer um pouco mais da História que alguns livros não te contam,
esse filme certamente vai te interessar. Vale muito o ingresso!