quarta-feira, 28 de abril de 2021

Filmes

 NOMADLAND (Avaliação 5/5 - Excelente!)


 Grande vencedor do ‘Oscar 2021’, filme dirigido pela coreana Chloé Zhao encanta pela sua narrativa profundamente filosófica. Vamos a análise!
 A premissa básica logo identificada na construção do roteiro dessa obra é confrontar o espectador sobre algo que, muitas das vezes, na correria do dia a dia, não percebemos, que é a brevidade da nossa vida e o quanto nada é muito certo nesse mundo que vivemos. O filme transborda complexidade ao nos apresentar ‘Fern’ (Frances McDormand), uma mulher que decidiu alicerçar seus pilares isolada de tudo e morar com o marido em um vilarejo oferecido pela fábrica onde trabalhava em um lugar muito distante da família, mas vê sua vida se desconstruir quando a empresa quebra e seu marido vem a falecer. Atordoada pela mudança brusca de situação, percebe que transitoriedade e relatividade são termos mais comuns do que cada ser humano pode assimilar e começa um profundo questionamento sobre a vida e determinados valores que estão impregnados no indivíduo, como observar que tipo de coisas você realmente busca em sua vida. Qual é o limite do ser humano na sua ânsia pelo ter? É justamente quando você ‘perde o chão’ que você talvez comece a notar que nada daquilo que busca ou buscou construir faz muito sentido. E é nessa veia altamente filosófica que o longa da premiada diretora se envereda e cria um ambiente reflexivo narrativo dos mais belos e profundos já produzidos.

A protagonista 'Fern' (Frances McDormand)

 ‘Vaidade das vaidades, tudo é vaidade’, já dizia o pregador Salomão em Eclesiastes. E talvez não há terminologia mais adequada para se embasar o argumento do filme. ‘Fern’ dialoga quase que o tempo inteiro lidando com a razão, a emoção e o bom senso suprimindo a dor em uma jornada nômade como ela mesma decidiu trilhar. Nada mais de buscar sonhos, nada mais de querer construir impérios. Apenas elevar o espírito e perceber as coisas simples da vida. E a estética visual criada pela diretora nos revela esse novo traço da protagonista e seu intenso contraste de sair do ‘lugar comum’ para produzir novas experiências. A direção de fotografia em muitos ‘takes’ reproduz lugares, paisagens e momentos que faz nos distanciar do fervilho da metrópole e do caos urbano para ampliação da mente na percepção de mundo. É muito interessante como o filme dialoga essa perspectiva com o público e nos faz enxergar que o caminho único e retilíneo simplesmente não existe. A ‘curva acentuada’ da nossa estrada pode aparecer e mudar todo o nosso jeito de olhar ao redor e concluir que a maior certeza que deveríamos trazer conosco é que o incerto fica logo ali, no meio das vãs vaidades e da nossa mais profunda percepção de estabilidade. E o filme é maduro ao mostrar que, embora a protagonista esteja ainda superando a dor, ela busca encontrar um melhor equilíbrio na instabilidade que a vida lhe causou e não criar mais o conceito de ‘estar totalmente seguro dentro de um invólucro’. E a mensagem que o filme quer passar é justamente essa: não crie bases seguras na sua mente e no seu coração. Tenha a certeza de que tudo passa e o que fica são suas experiências de vida e o quanto você viveu, e não a confiança que deposita no seu trabalho ou nos seus bens. Nada nesse mundo é eterno. E o que mais reproduz essa minha afirmativa são os diálogos concisos e em determinados pontos, tocantes. São justamente eles que norteiam a produtiva, contemplativa e filosófica narrativa (Salta-me uma das cenas do filme, onde ela passa em frente a uma sala de cinema e o filme que está passando é ‘Os Vingadores’, de 2012. E ela passa por aquilo sem sequer dar atenção, dando claramente a entender que suas prioridades são outras. Enquanto o mundo queria ver ‘Avengers’, ‘Fern’ reproduz o contrário, dando um entendimento da futilidade daquele evento que para muitos, era o ‘auge’. E não há certo ou errado nessa cena. Apenas a percepção do foco nas prioridades do que ela entende como viver. Interessantíssima essa abordagem da diretora). Simplesmente maravilhoso! ^^

Direção de Fotografia extremamente contemplativa!

 Detentora já de seu terceiro ‘Oscar’ (ela recebeu por este também a estatueta de ‘Melhor Atriz’), Frances McDormand simplesmente flui em uma atuação tão suave e tão sensível que, por vezes, o longa parece reproduzir um documentário, tamanha entrega em sua performance. Sem maquiagens, sem elegância, sem filtro. Deixando se elevar em um altíssimo grau de comprometimento e interpretação. Prezando pela pureza e naturalidade das cenas e praticamente confundindo a personagem com a atriz. A relação é de quase ‘Fern’ ser uma pessoa real retratada no longa. Impecável sua atuação e merecida sua indicação e consequente obtenção do prêmio. ;)
 A também premiada diretora Chloé Zhao busca a todo momento reproduzir visualmente toda a carga dramática que o longa possui. Para se aperceber disso, no primeiro ato as cenas iniciais me causam estranheza pelo total silêncio (não há diálogos nesse momento, só a protagonista reproduzindo a dor da mudança), pela falta de trilha sonora e pelo local onde ‘Fern’ mora estar um frio congelante. Mais pra frente você entende pelos diálogos que todo o ambiente visual reproduzia a melancolia e profunda tristeza da personagem pelo que lhe havia acontecido naquele lugar. E cada ‘take’ reproduz significativamente os estágios da mudança e do amadurecimento da protagonista. Há certo brilhantismo em sua forma de demonstrar os acontecimentos através da ambientação panorâmica da cena. Fica muito evidente essa técnica usada por ela e reproduz majestosamente os sentimentos mistos da protagonista, além de produzir várias provocações filosóficas diante do espectador. Incrível!
 Enfim, vale a pena ver o filme? RECOMENDADÍSSIMO! Como dito anteriormente, além do prêmio de ‘Melhor filme’, ‘Nomadland’ recebeu outros dois de ‘Melhor Atriz’ para Frances e ‘Melhor Direção’ para Chloé. Um filme captativo, lúcido e extremamente reflexivo para nossos dias atuais. Faz-nos enxergar (para aqueles que perceberem a atmosfera do longa) o quanto somos limitados nesse mundo e o quanto a vida por vezes ‘escorre’ pelas nossas mãos em situações nas quais não entenderemos ou não teremos domínio nenhum sobre elas. Faz-nos enxergar e exaltar o simples, ao mesmo tempo que filosoficamente se opõe ao caminho que a sociedade se propõe, não exatamente afirmando que é errado, mas confrontando o exagero. Trouxe-me uma carga analítica muito profunda ao sair da sala de cinema. Recomendo demais. Vale muito o ingresso!


sexta-feira, 23 de abril de 2021

Bíblia

 REFLEXÃO BÍBLICA

 ''Os céus anunciam a Sua justiça, e todos os povos veem a Sua glória'' Salmos 97.6
  Deus faz todas as coisas perfeitas. Na plenitude de Seus atos durante toda a criação, Ele impôs toda Sua majestade, poder e glória em prol de demonstrar para todos a magnitude de Seus feitos. E quando olhamos para imensidão dos céus, sua distância e o quanto o não podemos alcançar com mãos humanas, percebemos como algo é tão glorioso e intangível a ponto de declarar a justiça de Deus. Entenda, o céu é tão grande e tão intenso que mostra aos povos e aos filhos o quanto o Pai é poderoso. E a justiça de Deus é essa: se Ele pode criar algo desse porte, o que não poderá fazer pela minha vida e pela sua? A glória de Deus é manifesta nos céus através da sua grandeza. E quando você parar pra entender isso, vai observar o imenso Deus que está ao seu lado. Ei querido, os nossos problemas podem ser os maiores e mais intensos para nós, mas para Ele, que criou a vastidão do universo, é apenas uma gota no oceano. Contemple a força e poder que Seu Deus tem quando Ele te convida a apreciar o espaço e toda sua força magistral. Isso diz muito para você e eu sobre o que podemos esperar do nosso Deus. Ele é a força, a majestade, o domínio e a exaltação. Pense nisso ao se preocupar com as suas dificuldades e questões pessoais. Mesmo que doa para você - e sabemos que dói mesmo, pois estamos, se assim permitirmos, sendo moldados e provados aqui neste mundo -, para Deus é só um detalhe que vai possibilitar a manifestação da Sua glória sobre a sua vida. E a canção que complementa nossa mensagem de hoje é a abençoada "Deus soberano - Eula Cris". Medite na letra dessa canção e na mensagem de hoje e seja abençoado por elas em nome de Jesus!


segunda-feira, 12 de abril de 2021

Bíblia

 "Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres" João 8.36
 Libertação é uma palavra muito forte. No contexto bíblico, é denotada principalmente para declarar uma quebra, uma ruptura com as nossas vontades humanas que não agradam a Deus. Pode servir também como fim de um tempo de escravidão ou domínio de algum povo sobre o outro (o Antigo Testamento fala muito sobre isso). No entanto, mesmo com esses tão importantes significados, a libertação que Jesus menciona no texto em apreço tem mais uma abordagem bastante singular. Ela aponta para o Céu de glória que está preparado para todos aqueles que aceitaram e seguiram o chamado de Deus. E é aí que começa um grande processo em nossas vidas e mentes de entender que olhar para a Cruz é olhar para a libertação diária de nós mesmos. É ter a visão de perceber se a nossa evolução interior está realmente nos conduzindo ao Céu, pois a verdadeira mudança vem de dentro do homem para fora. Vem do reconhecimento das fraquezas para Deus e da forma com a qual você luta contra elas. 'O Reino de Deus não vêm com aparência exterior', disse Jesus em um outro texto. Entenda, meu irmão, que a maior vitória não é vencer o outro. Isso é batalha de egos. A maior vitória do ser humano é todos os dias lutar pra vencer a si mesmo. Essa á a libertação que leva para o Céu: a vitória sobre o nosso eu. 'Vós estais limpos pela Palavra que vos tenho dito', afirma um outro texto. Então, meu querido, mais do que ser ouvinte, muito mais do que ser um estudante fervoroso da Palavra, seja praticante do que ouviu, leu e estudou. É a prática da Palavra que conduzirá o Filho a te libertar, não só das fraquezas pessoais daqui desta Terra, mas também de todas as amarras que nos prendem a este mundo e nos impedem de seguir a Eternidade ao lado de Cristo. Ah, e se por acaso você tropeçar, levante-se, peça perdão a Deus, prossiga e volte a olhar para Cristo e para o Alto, pois é para lá a direção que deve seguir. Pense nisso. E a canção que complementa a mensagem de hoje é "Vou deixar na Cruz - Cassiane". Medite nessa mensagem, ouça essa belíssima canção e seja abençoado em nome de Jesus!


quarta-feira, 31 de março de 2021

Filmes

HBO MAX: LIGA DA JUSTIÇA SNYDER CUT (Avaliação 5/5 - Excelente!)

  ‘Zack Snyder’s Justice League’ é uma verdadeira carta de amor aos fãs desses icônicos personagens do universo DC Comics. Vamos a análise! ^^
 O diretor Zack Snyder tem uma visão muito peculiar em suas obras. Grande fã de quadrinhos, sua estética que remete a este tipo de mídia está muito presente em seus filmes. E quando ele foi contratado para iniciar um universo da DC nos cinemas – que começou em 2013 com o muito bom ‘Man of Steel’ -, tudo o que ele queria era externar da forma mais intencional e poética possível suas colocações acerca de como ele vê essas obras e seus personagnes tão icônicos que estão já arraigados no psiqué humano de forma tão natural ao longo de todos esses anos. Quem não conhece Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Flash, Aquaman e cia? É impossível ao menos não associar os nomes, mesmo que dificilmente você não saiba quem são. E produzir algo no mesmo nível do que seria a verdadeira homenagem a esses em forma de live-action certamente seria o auge da sua carreira como diretor. Porém uma série de divergências criativas com a Warner e o trágico incidente familiar coibiu totalmente sua narrativa para a continuação desses filmes. Mas o tempo passou e, após muitas especulações e pedidos, cá estamos vendo o que posso chamar de um sofisticado e digno longa que a Liga da Justiça tanto merecia ter. E vamos destrinchar todos os porquês abaixo.

Muito quadrinhos/animação essa cena!

  Primeiro item que posso destacar é certamente a narrativa extremamente mais coesa e menos corrida em relação ao que foi mostrado anteriormente. A condução e formação de cada personagem da Liga foi minunciosamente detalhada e se consegue perceber claramente as personalidades, intenções, alegrias, frustrações e objetivos de cada membro. Cada longo ‘take’ com sua exuberante fotografia revelando mais da identidade de cada um traduz exatamente o que, ao meu ver, um bom filme deve ter: uma bela construção tanto de protagonistas quanto de antagonistas para que o todo do filme faça sentido. E sim, você chega na metade do filme entendendo exatamente o que cada um é, seu espaço e conflitos pessoais no longa. A concepção da Liga é feita por heróis que misturam seus poderes com uma certa humanidade em cada um deles. E por isso a proposta de desenvolver pausadamente cada um foi, ao meu ver, um decisão das mais acertadas nesse projeto do Snyder. Até porque, além do 'Superman', nenhum outro teve seu filme solo para trazer sua história para o grande público ('Mulher-Maravilha' e 'Aquaman' viram um tempo depois). E esse fator enriqueceu muito a narrativa desse longa. Só se consegue ter conexão com a história e os personagens se eles forem bem introduzidos. Do contrário, é um amontoado de ótimos atores lançados em um roteiro que não os justifica e nem cria empatia com seus personagens. E nisso o Zack caprichou muito!
 Outro ponto extremamente relevante fala sobre a estética do filme. A postura cartunesca está presente tanto quanto o enquadramento de uma cena de história em quadrinhos. E o que isso quer dizer em termos práticos? Em muitas e muitas cenas, percebe-se o cuidadoso trabalho dele em tanto trazer a forte lembrança dos quadrinhos para as telas quanto remeter o espectador a um desenho animado da ‘Liga da justiça’. Eu mesmo em muito pontos me senti eufórico em perceber como seu tratamento e direção trouxeram isso de forma escancarada em tela. Um verdadeiro presente para os mais ávidos fãs de ambas as mídias, que puderam ver um diretor fã trabalhando exatamente no que o fã quer ver: um cenário apoteótico – digo isso de forma positiva, pois a Liga precisa escorregar nesse termo – que reflete exatamente o poder de seus protagonistas e que, além disso tudo, precisam unir forças e trabalhar em conjunto para que cada um deles desempenhe bem sua força no grupo. Quer mais desenho animado da Liga da Justiça que isso? ;D

O imponente Darkseid / A tríade do mal!

 Sua mostra de como os heróis são e de como eles interferem na sociedade como um todo e na cultura pop pode ser vista em cada um na escolha desse elenco. Os perfis se encaixam tão bem que Henry Cavill, Gal Gadot, Jason Momoa por exemplo, já transpuseram barreiras e se tornaram ícones dentro de seus papéis. Por um bom tempo ninguém vai querer ver outro Superman ou Mulher-Maravilha – ou até mesmo um outro Aquaman – interpretado por alguém que não sejam eles. Todos foram muito bem escolhidos pelo diretor (‘Cyborg’ de Ray Fisher, ‘Flash’ de Ezra Miller e ‘Batman’ de Ben Afleck se incluem também), mas esses 3 que citei – que tiveram filmes solo com os respectivos atores – se consolidaram firmemente no ‘mainstream’ de Hollywood. Será que ainda poderemos ver Ben Afleck e seu peculiar ‘Bruce Wayne’ em uma aparição solo? Há todo um ‘plot twist’ no epílogo que aponta para isso. Por favor Warner, só faça acontecer. Obrigado.
 Enfim, vale a pena ver o filme? RECOMENDADÍSSIMO! A estética ímpar e muito peculiar desse diretor trouxe a leveza e a densidade necessárias para que “Liga da Justiça Snyder Cut” se tornasse de fato a obra definitiva e extremamente bem estruturada desse universo. Além da excelente construção de cada protagonista, as camadas de profundidade do vilão ‘Lobo da Estepe’, suas reais motivações e desejos são muito bem canalizados nesse. E a história de Darkseid, que começa nesse e culminará no próximo – que assim seja – são pontuadamente bem fundamentadas também. É impossível negar o esmero e a profundidade da visão do diretor nesse. Um obra para ser vista e relembrada por anos a frente. Só posso parabenizar o Snyder pelo seu belo trabalho. Vale a pena demais assistir! ;)

quarta-feira, 24 de março de 2021

Bíblia

 REFLEXÃO BÍBLICA
 
 "O Senhor faz justiça e juízo a todos os oprimidos'' Salmos 103.6
O texto em apreço vai narrar algo que para muitos hoje, soa como se Deus fosse alguém 'vingativo'. Mas não se engane. Não veja Deus com sua ótica falha e humana. 'Justiça', nesse contexto, tem a ver com 'ser justo' na medida proporcional ao próprio ego humano. 'Deus não se deixa escarnecer, pois aquilo que o homem semear, isto também ceifará', diz um outro texto bíblico. Também tem muito a ver com a maneira com que o Pai olha as situações. O que pode ser julgamento para o homem, ao falar de certas questões de outrem, pode na verdade ter um olhar diferenciado para Ele. Não julgue premeditadamente ninguém. A justiça dEle não tem os mesmos parâmetros que a nossa. Nós somos impulsivos. Deus é longânimo. Somos imediatistas. Deus dá oportunidades. Nos iramos com facilidade. Deus demora a irar-se. Mas quando Ele vê que o injustiçado está sofrendo de forma abrupta e ininterrupta por aquele que comete a injustiça, Ele, no Seu tempo, age com juízo, pois o Pai 'não tem o culpado por inocente', diz ainda um outro texto da Palavra de Deus. Portanto, meu querido, se estás cometendo injustiça, pare imediatamente e se arrependa o quanto antes. Deus é misericordioso para perdoar. Mas, meu irmão, se tu és o injustiçado, tenha certeza que Ele virá e fará parar o mal, da maneira, do jeito e no tempo dEle, pois Ele não se agrada de quem oprime seu próximo. Oprimido e opressor tem olhares bem diferenciados diante do nosso Senhor. Pense nisso. E a canção que complementa nossa mensagem de hoje é "Os que te ferem - Rayssa/Leandro Borges". Deixe os que te ferem e oprimem nas mãos do Senhor, pois Ele sabe como cuidar. Só ore e se cale. Todo o agir está nas mãos do Pai. Medite nessa mensagem, ouça esse magnífico louvor e seja abençoado em nome de Jesus!


sexta-feira, 19 de março de 2021

Filmes

 RAYA E O ÚLTIMO DRAGÃO (Avaliação 5/5 - Excelente!)


 Com uma apresentação primorosa e qualidade ímpar, nova animação da Disney figura como sendo das melhores do estúdio. Vamos a análise!
 Que a empresa do Mickey tem um portfólio altamente notável, isso todo mundo já sabe. São dezenas e mais dezenas de obras cinematográficas que beiram a perfeição e foram contempladas com várias premiações de peso ao longo dos anos. Mas, e quando ela ousa sair do convencional para atingir outros públicos e culturas? Assim como foi com ‘Viva – a vida é uma festa’ (que abordou temas relacionados a cultura mexicana), temos agora uma massiva animação sobre cultura chinesa (inclusive abrangendo um pouco de sua história do passado). E o resultado talvez não podia ser outro: extrema qualidade artística e muito respeito pelo material original da obra. Vejamos o porquê abaixo.
 Quando digo no parágrafo anterior sobre respeito, estou primeiramente me referindo a direção de arte tomada pelos designers para elaboração dos personagens. Eles certamente foram pensados para serem animados com características menos cartunescas (entenda: são modelos 3D reimaginados de pessoas chinesas, mas sem olhos grandes, pernas finas e outras características que o estúdio costuma usar para deixar pessoas ainda mais caricaturadas; isso que quero dizer) que o convencional da empresa. Isso porque certamente queriam evitar polêmicas com o governo chinês, público alvo e foco dessa obra. E isso na verdade acabou tornando o filme o mais belo possível, pois há um pouco de suavidade e manutenção na forma como usaram, de forma não canônica, todas as questões que envolveram sua antiga história, com divisão de reinos e suas rivalidades quase que poéticas. Nisso muitos games também já beberam e bebem até hoje dessa rica narrativa. E embora outras animações já tenham abordado esse tema, ver a Disney trabalhar isso com maestria e mantendo altíssima qualidade, é realmente muito prazeroso. ;)

A pequena Maya e seu pai.

 Um outro ponto tecnicamente muito relevante diz respeito a construção dos personagens. São retratados de uma forma tão colossal e bem delineada que você acaba criando vínculo (que é isso que um bom roteiro faz) não só com os protagonistas, mas com seus coadjuvantes também. E isso acontece aqui de forma brilhante, pois você consegue enxergar as motivações, crises, dores e sentimentos de cada um deles e torcer por eles, até mesmo quando você não aceita suas posições. É o caso por exemplo da ‘Namaari’. Ela cria um contraponto com ‘Maya’ que estabelece uma colisão de ideias muito interessante. Embora seja uma espécie de antagonista, sua luta e a construção de sua narrativa a justificam. Percebe como uma história bem contada traz luz ao emocional dos personagens ao ponto de, mesmo não concordando com eles, conseguir alcançá-los? Tanto ‘Maya’ quanto ‘Namaari’ são decididas, fortes e seguem seguras em direção as suas convicções. E isso vem mais uma vez para quebrar os paradigmas das ‘princesas’ da Disney, pondo mulheres corajosas (caso da ‘Elsa’ também, de ‘Frozen’) e não mais donzelas com aquele senso de fragilidade. Maya é construída de forma deslumbrante nesse sentido (e eu fiquei simplesmente apaixonado pelo seu design/personalidade <3). ‘Boun’ e ‘Sisu’ são outros dois destaques também. O primeiro por ser a parte fofa e dar o tom de leveza do filme. A segunda por sua importância na história e por ser um excelente alívio cômico. Ambos são coadjuvantes que agregam muito na narrativa e encantam igualmente por serem entendidas suas razões de estarem ali ajudando a protagonista a desenvolver seu arco. E quando os coadjuvantes conseguem esse feito, de contribuir para com o desenvolvimento dos protagonistas, certamente o roteiro está fazendo seu ótimo trabalho nisso. :)


O encontro com Sisu.

 As paisagens, vilarejos e os mais variados cenários tocam profundamente pela sua beleza quase que transcendental. A qualidade visual, o charme, a riqueza dos detalhes seja de uma floresta ou de um deserto beiram o insano. Não se poupou tecnologia nem esforços para entregar um material o mais fidelizado e bonito possível. A cada nova troca de cena eu me deslumbrava com tamanho esmero e cuidado na realização desse trabalho. O que fez a obra se tornar ainda mais impecável, em minha humilde opinião. ;D
 Enfim, vale a pena ver o filme? RECOMENDADÍSSIMO! A Disney mais uma vez se supera em entregar uma animação firme, sólida e baseado em uma mitologia e história rica e atemporal. “Raya e o último dragão” é uma deliciosa embarcação rumo a uma brilhante jornada épica cheia de respostas e transformações. O lindo e emocionante final traduz isso muito bem. Dessa vez eu recomendo muito mesmo. Vale cada centavo para assistir! :D


sábado, 13 de março de 2021

Filmes

 AMAZON PRIME: UM PRÍNCIPE EM NOVA YORK 2 (Avaliação 3,5/5 - Muito bom!)


 Sequência de longa de 1988, que estreou em 5 de março na plataforma, traz um senso de nostalgia e comédia bem misturados nesse. Vamos a análise! ^^
 Continuações de filmes antigos são sempre uma questão a parte. Mexer com a nostalgia alheia tendo de revisar contextos para o mundo atual não é tarefa das mais fáceis. E entregar toda a atmosfera do filme original nem sempre é funcional nos dias de hoje. Porém, entre a tentativa de se abordar assuntos contemporâneos e manter a essência, ‘Um príncipe em Nova York 2’ acaba se saindo muito bem em ambos os aspectos. Primeiro, por conta do elenco que não foi trocado. Segundo, por conta de pequenos detalhes da carreira de Eddie Murphy no ‘show business’, que são sua marca registrada e estão lá em grande estilo nesse. E justamente o equilíbrio de todos esses pontos é o que faz o filme funcionar bem em suas quase duas horas de duração.


Eddie Murphy e Arsenio Hall retornam na sequência.

 Como falei no parágrafo acima, a decisão de se manter o elenco original foi das mais acertadas, pois Hollywood já notou que ‘reboots’ ou ‘remakes’ não estão tendo muita aceitação com o público por esses dias. São poucos os casos de acerto. E rever Eddie Murphy, Arsenio Hall e Shari Headley reprisando seus icônicos papéis traz algo tanto de mágico quanto de sensato no filme. Quem interpretaria os trejeitos, olhares e risadas de Murphy tão bem quanto ele mesmo? Sua veia de comédia é única e bem peculiar. Não vejo alguém hoje que tenha tenha sua postura cômica. Fora o fato, que é a parte incrível de sua arte, de ele interpretar vários personagens ao mesmo tempo no filme. E não só ele, Arsenio Hall dá um show também com suas transformações. E essa talvez seja uma das marcas registradas mais marcantes de sua carreira (vide filmes como ‘Norbit’ ou ‘O professor aloprado’). O que obviamente não poderia ser substituído de forma alguma. Ponto muito positivo esse! :)

Rei Akeen agora tem 3 belas filhas...

 Apesar de ser muito leve e divertido, o filme tenta ainda abordar, de forma muito suave, temas como, por exemplo, a ascensão das mulheres ao poder. Traz isso muito diluído na narrativa quando percebemos que no seu reino só homens podem governar, por conta das tradições centenárias de seu povo. Mas é confrontado quando sua esposa diz para ele que ‘são novos tempos’. O pai dele (interpretado por James Earl Jones, que também reprisa seu papel de outrora) pede por um herdeiro homem e ele teve três filhas (isso não é spoiler, aparece nos trailers de divulgação). E há toda uma construção da ‘desconstrução’ desses paradigmas no filme. Nada forçado ou levantando bandeiras ideológicas. Apenas mostrando levemente o contexto atual. E nessa leveza do discurso, há outros focos de diálogo que trazem outras sutis críticas também. Como por exemplo em um dado ponto fala sobre a indústria do cinema atual, dando aquela leve cutucada na abordagem ‘hollywoodiana’ de hoje (filmes de super-heróis, remakes/reboots, sequências de filmes antigos). Bem sacada essa abordagem, brincando com o fato desse também ser uma sequência de um filme velho. O que na verdade não deixa de ser um fato (rs).

...e descobre um filho bastardo, vivido por Jermaine Fowler.

 Há participações muito especais no longa, que agregam bastante a parte cômica e contribuem para dar aquele charme a mais na produção. Nomes como Morgan Freeman e Wesley Snipes acertam o tom e, mesmo com Morgan tendo uma pequena participação, certamente abrilhanta muito o contexto da trama que, embora seja simples, flui muito bem durante todo o tempo. Leslie Jones e o novato Jermaine Fowler (que interpreta o filho bastardo do protagonista) complementam muito bem o elenco no quesito representatividade. Que, aliás, é o que não falta tanto aqui quanto no primeiro, mesmo o anterior sendo em uma época em que esse assunto era pouco difundido (ou seja, não há cunho político ou ideológico aqui. Somente respeito aos atores negros que por vários anos nos brindaram com suas boas performances). E não. Não é um filme para ser analisado de forma profunda. É uma história leve, espirituosa e com os clichês amorosos de sempre. E tudo isso é amarrado com muito risos e gargalhadas. Mas ainda assim funciona dentro da sua própria ‘bolha’, pode-se assim dizer. ;)
 Enfim, vale a pena ver o filme? MUITO RECOMENDADO! “Um príncipe em Nova York 2” tem Eddie Murphy e Arsenio Hall multifacetados em suas diversas caricaturas espalhadas pelo longa. É riso solto certo, incluindo várias cenas engraçadas nos créditos finais dos ‘erros de gravação’ e um pós-crédito no fim para mais um suspiro de risada. Diversão leve, descompromissada e funcional. Dessa vez eu recomendo muito. Me diverti bastante assistindo! ;D



sexta-feira, 5 de março de 2021

Filmes

 RECOMENDAÇÃO: ENTRE FACAS E SEGREDOS (2019)


 Com um elenco estelar, filme de investigação que lembra livros de Agatha Christie figura como um dos melhores desse gênero. Vamos a análise!
 Como um ávido fã de livros de romance policial – embora atualmente eu não esteja lendo algum – me arrisco a dizer que assistir essa obra resgatou em mim aquele fervoroso sentimento – bom, por sinal – dos famosos livros da escritora do primeiro parágrafo. E não, esse filme não é obra dela, mas todo o entorno de mistérios envolvendo a família de um milionário morto e as diversas nuances que intrigam e detalham o crime lembram sim muito a escritora. E na verdade isso é magnífico! Com um roteiro muito bem conduzido até o seu estonteante desfecho, não há nenhum espaço para respirar. A brilhante forma como a narrativa é amarrada, prendendo a atenção do espectador a cada instante, faz com que a deliciosa trama seja deleitosamente absorvida pelo público, com aquele gostinho de duvidar de tudo e todos até o fim e desconfiar até mesmo do que se parece meio óbvio. E há uma acertada perfeição nesse trajeto, incluindo a inerrante escolha do elenco.
Que elenco é esse direção!

 Elenco esse, que brilha incessantemente do início ao fim, com um destaque para o impagável Daniel Craig como detetive ‘Benoit Blanc’. Sua atuação impecável, sagaz e envolvente trouxe a responsabilidade a todos os outros atores e criou um entrosamento ímpar de todos os envolvidos no projeto. Nomes como Chris Evans, Jamie Lee Curtis, Christopher Plummer (in memorian), Katherine Langford e Jaeden Martell compõem o luxuoso ‘cast’ e a química entre eles cria um ambiente extremamente funcional, intuitivo e instintivo – ajudados também pelo indiscutível bom roteiro. O longa não se perde em nenhum momento de suas duas horas e dez minutos de tela, não ‘esfria’ e mantém o equilibro e o interesse, criando uma atmosfera sólida e muito bem embasada. Ana de Armas também merece destaque, por viver uma personagem imigrante enfermeira que cuidava do milionário em questão (vivido pelo saudoso ator Christopher Plummer). Os pontos mais altos do filme a elevam junto com sua personagem, que vai se tornando mais denso a cada novo ato e ainda estabelece diversos momentos muito cômicos juntamente com o personagem de Daniel Craig, com quem faz uma troca magnífica. E o grande segredo de sucesso desse projeto está justamente aí, na coerente troca e entrosamento de cada personagem, de cada gesto, olhar e diálogo flertando com o clima de mistério oferecido pela trama. Tudo muito bem dosado e inserido nos momentos mais exatos possíveis. Da mesma forma a bem posicionada fotografia corrobora com todo o enredo e questionamentos dos envolvidos, gerando ainda mais tensão e incertezas. Um conjunto memorável, posso assim dizer. ;)
Daniel Craig e Ana de Armas: impecáveis! ;)

 
Enfim, vale a pena ver o filme? RECOMENDADÍSSIMO! “Entre facas e segredos” é aquele tipo de filme que possui a qualidade e o ‘sabor’ ideais. Elenco grandioso e cativante, roteiro minunciosamente bem escrito, trama envolvente e deliciosa com um desfecho triunfante. Se não o melhor, certamente é um dos melhores filmes do gênero em anos. Curti demais e recomendo demais! Vale muito mesmo dar uma conferida! ;D

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Filmes

 MONSTER HUNTER (Avaliação 2/5 - Ruim!)


 Recursos visuais bacanas e roteiro extremamente fraco – ou quase inexistente – desmantelam a tentativa dessa ser uma boa adaptação de um game. Vamos a análise!
 ‘Monster Hunter’ é um game criado pela empresa Capcom em 2004 e mostra, dentro de seu núcleo principal, um mundo vasto onde humanos e enormes criaturas coabitam e ambos precisam lutar para se manterem vivos naquele ambiente. Há uma gama de recursos e armas para exploração e percepção daquele mundo e as missões vão se dificultando a medida que novas e mais poderosas criaturas precisam ser caçadas. O jogo é um estrondoso sucesso de vendas até os dias de hoje e encanta fãs de diversas partes do globo com sua jogabilidade divertida e atraente. E como sempre digo quando falo de adaptações de mídias (nesse caso dos games para o cinema): é fundamental saber como se manter um equilíbrio entre uma história que faça sentido para o público em geral e ao mesmo tempo, manter a essência do que se vê no jogo em tela. Mas infelizmente, o que o filme tem de bonito visualmente, tem de erros sucessivos no que diz respeito a narrativa. Vejamos o porquê abaixo.

Milla Jojovich (Artemis)/Tony Jaa (Caçador)

 O jogo da Capcom não tem 2 ‘mundos’. Contudo, na trama do longa, um grupo de soldados do ‘nosso mundo’ é levado por uma espécie de portal para o ‘novo mundo’, onde encontram criaturas gigantescas desconhecidas até então. Só que o primeiro ato se mostra completamente ineficaz em apresentar com clareza a distinção desses dois mundos e jogam o núcleo humano sem nenhum sentido lógico para o ‘novo mundo’. Um falha grosseira que deixa a narrativa enfraquecida durante – pasmem – todos os dois primeiros atos da trama. Não há sequer nenhum diálogo durante todo esse período que possa tornar crível a passagem para o ‘novo mundo’ e o porque deles estarem ou terem chegado até ali. A protagonista ‘Artemis’ (Mila Jojovich) se encontra nesse ‘novo mundo’ com o ‘caçador’ (Tonny Jaa) e ambos não entendem suas línguas, o que cria uma discrepância narrativa extremamente incômoda, pois a projeção se desenrola sem nenhum linha de fala aparentemente coerente. Porém as cenas estão ali apenas sendo jogadas em tela com uma edição, muitas das vezes, de doer a cara e o coração. Não que o núcleo humano fosse ruim ou que a ideia de dois mundos se colidirem fosse equívocada. O ponto não é exatamente esse. Mas sim o fato de absolutamente nenhuma explicação ser apresentada para que essa colisão fosse coesa. Ponto muito negativo esse ao meu ver.
 Um outro fator incomodo é justamente o fato de, por não haver quase diálogo no filme, o desenvolvimento dos personagens é praticamente nulo e você não simpatiza com eles nem se solidariza com as situações apresentadas. A artificialidade de colocar cenas de ação uma por cima da outra sem que a motivação das mesmas seja realmente delienada as tornam frustrantes e por vezes. monótonas e até chatas (mesmo com a qualidade incrível algumas delas – falarei sobre isso mais abaixo). Você só é contemplado com algum vislumbre pequenino do contexto já praticamente no finzinho do segundo ato, inciando o terceiro, quando um outro personagem daquele ‘novo mundo’ entende a língua do nosso mundo e fala meia dúzia de palavras soltas que desperdiçam ainda mais a oportunidade de se esclarecer tudo o que está realmente se passando no filme. Decepcionante!


Os efeitos visuais/especiais são muito bons.

 Conforme relatei nos parênteses do parágrafo acima, o gasto monumental com os bons efeitos visuais/especiais, com monstros ricos, e alguns bem feitos e assustadores se perdeu em meio essa narrativa ‘fake’. Mesmo tendo um enorme vislumbre de todo aquele belíssimo mundo, não salvou o filme do engodo que foi. E acredite, Mila Jojovich e Tonny Jaa até que tentam carregar o filme nas costas. Mas o roteiro – que deve ter sido escrito em meia página – puxa o longa para o declínio e infelizmente não convence nem um pouco na minha humilde opinião. O que pode certamente entristecer os milhões de fãs da franquia. Fora que, mesmo com uma qualidade bacana nos visuais, a quantidade dos monstros em tela é absurdamente limitada em comparação ao jogo original, o que também deixa o filme muito aquém do universo que ele poderia apresentar a mais naquele mundo.
 Enfim, vale a pena ver o filme? Não vale! ‘Monster Hunter’ tinha tudo para ser um ‘hit’, até pela legião de fãs que carrega. Mas o roteiro quase que nulo engessado em quase duas horas de duração sem explicações fizeram mais uma vez uma grande oprtunidade ser desperdiçada, pois mesmo que a história fosse linear e simples, mas com coerência, certamente teria muito mais apelo e atenção do público em geral. Infelizmente dessa vez não recomendo e fica por sua conta e risco, querido leitor.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Filmes

 TOM & JERRY - O FILME (Avaliação - 3,5/5 - Muito Bom!)


 Animação em live-action de uma das duplas mais amadas dos ‘cartoons’ reflete um bocado o seu desenho de origem. Vamos a análise!
 Criado por Joseph Barbera e Willian Hanna lá pelos anos de 1940 (isso mesmo, nossos queridos estão com quase 100 anos de existência), a idéia era demonstrar cômicamente as peripécias dos gatos correndo atrás de ratos na pele de Tom, um gato não tão esperto assim, e Jerry, um ratinho malandrinho que apronta todas. Convencendo positivamente o público da época, o desenho foi amplamente renovado ao longos das décadas, e foi passando por várias e várias gerações até os dias de hoje. E vamos falar a verdade: quem que está lendo essa resenha não passou algumas manhãs ou tardes assistindo pelo menos um dos episódio deles? :)

Parte do núcleo humano do longa. ;)

 Nessa mistura de atores reais com animação nesse novo ‘live-action’, a grande dificuldade era exatamente transpor toda a essência dos personagens do jeito que foram criados, pois, pela época e contexto em que surgiram, eles são considerados hoje muito ‘politicamente incorretos’. E trazer de fato como eles são para as telas não seria tão simples. Porém a produção e direção do longa optaram por não mexer demasiadamente no que eles tem de mais relevante: suas hilárias trapalhadas com as mais variadas vertentes, incluindo quedas, tombos, raios, maquinários, ferramentas e por aí vai. Nisso já deixamos o ‘politicamente correto’ de lado e focamos no que mais importa sobre esses personagens: diversão e risadas. Ponto para a toda a equipe que manteve o núcleo dos protagonistas – e coadjuvantes também – intactos para a nova geração.
 O enredo simples, porém bem encaixado, tornou possível introduzir toda a aura dos desenhos dentro da narrativa fazendo ela se tornar parte intrínseca uma da outra. Isso me chamou a atenção, pois entrosar a história do núcleo humano com os bichanos, permitindo que suas trapalhadas façam sentido dentro da película não seria tarefa das mais fáceis. Mas, para a minha surpresa, funcionou muito bem. E até a forma de apresentar alguns coadjuvantes bem conhecidos se tornou fluida o suficiente para me convencer que, de fato, eles realmente estavam ali dentro de uma lógica nesse universo do ‘live-action’. Mais um ponto a favor para o filme. ^^
 Tom, Jerry e todos os demais animais vistos na projeção foram feitos – e muito bem feitos e fidedignos por sinal –, na minha mais perceptiva impressão, de uma técnica de renderização 3D chamada ‘cell-shading’, onde modelos em 3D simulam, de certa forma, traços animados em 2D, fazendo-os parecer mais com os desenhos tradicionais. Isso gerou um visual que, além de muito bonito, deu o charme necessário para que a película ganhasse os tons cartunescos que precisaria para este mundo animado. Simplesmente magnífico! ^^
Nossos queridos protagonistas! <3

 O núcleo humano, composto por nomes e rostos conhecidos como Chloë Grace Moretz (Kayla), Michael Peña (Terrance) e Ken Jeong (Jackie) incrementam a narrativa de forma positiva, no geral, com um bom ‘timing’ de piadas e cenas cômicas. Porém, alguns momentos desse núcleo se estendem um pouco além e acabam levemente fugindo do principal foco, que certamente é ver os icônicos protagonistas fazendo graça em tela. Não chega a ser incômodo em demasia, mas sintetizar alguns dialogos ‘enxugaria’ melhor a narrativa (que por si só, não era nem um pouco complexa de se entender). Mas mesmo assim isso não atrapalha a experiência como um todo. ;)
 Enfim, vale a pena ver o filme? MUITO RECOMENDADO! Só a quebra do paradigma do ‘politicamente correto’ já faz de ‘Tom & Jerry – o filme’ um longa para ser divertidamente apreciado. Para os adultos, a doce lembrança da infância e o encantador fator nostálgico. Para as crianças, a oportunidade de se ver figuras tão queridas e fofas em tela novamente. Para ambas as idades, vale muito o ingresso! ^^

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domingo, 7 de fevereiro de 2021

Bíblia

RFELEXÃO BÍBLICA

 "Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor''. Romanos 6.23
 Todos nós somos seres errantes. Não há dúvidas, nem mesmo bíblicas quanto a isso ('porque todos pecaram e destituídos foram da glória de Deus', diz um outro texto bíblico). Contudo, quando nos rendemos a Cristo, há um longo e, por vezes, doloroso processo de transformação - para aqueles que realmente aceitam passar por essa transformação - que culmina na 'mortificação' de suas práticas errôneas cometidas quando éramos do mundo. Mas veja, nosso corpo, mesmo sendo moldado por Deus, ainda está sujeito a errar, pois ainda está em constante lapidação nessa terra. Porém, em Cristo, não somos mais os mesmos e temos condições de lutar contra nossas vontades e pedir perdão a Deus toda vez que excedermos nossos limites humanos. Oração e intimidade com Deus são segredos para uma caminhada saudável nesse mundo. Todavia, se nós perdemos esse vínculo com o Pai, somos capazes sim, de retomar as velhas atitudes de forma contínua e desenfreada. Mentiras, falso testemunho, vaidades, invejas, julgamentos...tudo isso precisa ser vencido a cada dia para que a comunhão com Deus não seja amplamente afetada. Ei querido, 'o salário do pecado é a morte'. E a pior morte certamente não é a humana, e sim a espiritual, pois você pode viver sua vida inteira na casa do Pai e ao mesmo tempo estar completamente longe dEle, por não reconhecer suas fraquezas para Ele. Pense bem nisso. Todo o mal que você faz, sem produzir frutos de arrependimento, coloca sua vida ainda mais distante do Céu. E a canção que complementa nossa mensagem de hoje é a impactante 'Santificação - Elaine Martins'. Medite nessa Palavra, atente para letra dessa canção e seja abençoado em nome de Jesus!


quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Bíblia

 REFLEXÃO BÍBLICA

"Porque a Palavra de Deus é viva e eficaz, mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até as divisões da alma e do espírito, das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração'' Hebreus 4.12
 Deus nos conhece por meio da Palavra. E o texto em apreço vai revelar verdades profundas sobre como essa mesma Palavra surte efeito na vida do ser humano. Nenhum pensamento, mentira, orgulho, soberba e nem mesmo as intenções boas ficam escondidas diante dEle. O que nos faz pensar que devemos refrear nossas ações e repensar nossas intenções caso elas sejam más ou destrutivas para os outros. Porque, pelo texto descrito, a Palavra discerne e revela 'os pensamentos e as intenções do coração'. Ou seja, ela sabe o que você faz e com qual intenção você faz. Inclusive o versículo posterior vai enfatizar e corroborar com esse, dizendo que 'não há criatura nenhuma encoberta diante dEle'. Ei querido, seja prudente e tome cuidado com os sentimentos que permeiam o seu coração. 'Examine-se, pois, o homem a si mesmo', diz um outro texto bíblico. Pois muitas das vezes o que você faz com a outra pessoa, seja bom ou seja mau, reflete não o caráter do outro, mas o seu. Até porque existem ações boas com intenções más. E pelo poder da própria Palavra, Deus olha, com efeito, as intenções e não as ações. Pense nisso. Pode-se até iludir as pessoas com ações que se pareçam adequadas, mas a Deus nenhum de nós ilude não. E a canção que complementa nossa mensagem de hoje é a belíssima "Eyshila - Eu me arrependo". Reflita na letra dessa canção, medite na mensagem e seja abençoado em nome de Jesus!


quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Bíblia

REFLEXÃO BÍBLICA

 ''O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que O temem, e os livra.'' Salmos 34.7
  Deus tem muitos princípios. Mas conhecê-los e colocá-los em prática vai depender de pelo menos dois gestos fundamentais: leitura e aplicação. Se você não ler a Bíblia, não há como conhecer ao Pai. É simples assim. A leitura torna Deus 'visível' para você pelo poder do Espírito Santo que detém a autoria bíblica. E essa leitura produz em Deus o desejo de se mostrar para aqueles que aplicam a Palavra as suas vidas. Por isso a aplicação é outro fator importante, pois se você só lê, seu campo pode acabar se tornando especulativo: 'será que Deus faz isso mesmo?', mas se você aplica o que lê, o Pai cria as experiências necessárias para que você veja na prática como a Palavra de Deus 'funciona'. É aqui o ponto que quero chegar. A partir do momento que a leitura da Palavra gera temor em sua vida, por entender tudo o que Deus é, isso automaticamente faz com que o Pai tome uma responsabilidade sobre você. Responsabilidade essa que gera do Céu a convocação de um anjo para te guardar. Mas o questionamento vem: Porque Ele não guarda todo mundo? Que Deus é esse? Ele não é amor? Sim, Ele é amor. Porém, lembra o início desse texto? O Pai tem princípios. 'Dos que O temem', diz a passagem em apreço. Se não há temor de Deus, indica que você confia em si mesmo. E essa sua escolha define como Deus vai agir. Pense nisso. Há livramento real e guarda do Céu para aqueles que conhecem e praticam a Palavra. E a canção que complementa nossa mensagem de hoje é a belíssima 'Fidelidade - Daniele Cristina'. Medite na letra dessa bela canção, na mensagem de hoje e seja abençoado com a melhor escolha, que é estar em Cristo Jesus. Que Deus te abençoe! 


quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Filmes

 DISNEY PLUS: SOUL (Avaliação 4/5 - Muito bom!)

 Uma animação focada quase que inteiramente para adultos. É assim que ‘Soul’ pode ser definido. Vamos a análise!
 O que você valoriza em vida? Dinheiro, sonhos, carreira, sucesso? A Disney coloca essas e outras questões tão ou mais profundas sobre a vida e seus valores nesta que é para mim, uma das mais controversas e inteligentes animações que o estúdio já produziu. Controversa porque ela, diferentemente de outras que a Pixar já elaborou, é totalmente voltada para adultos. Sim, você não leu errado. Nada, em nenhum momento do rebuscado roteiro trabalha em prol de se mostrar algo que remeta ao público infantil. Inclusive trata o tema ‘vida pós morte’ com elucidações um tanto quanto pesadas, que não levam nenhuma lucidez de entendimento aos pequenos (diferentemente, por exemplo, da animação ‘Divertidamente’, onde os sentimentos são retratados de forma lúdica e extremamente eficaz). E por não ter essa conexão com as crianças, em alguns momentos a trama recai em certas camadas tão delicadas sobre assuntos da vida, que até a habitual graça e descontração que as histórias costumam ter caem em desuso nesse. Mas o que ela produz de forma inteligente para o espectador? É isso que veremos mais adiante.

A paixão pela música!

 Para o espectador adulto, que vai conseguir compreender melhor os temas abordados na animação e separá-los da forma mais conveniente possível, vemos o protagonista ‘Joe’ obcecado pelo seu desejo de se tornar um grande músico, dado o conhecimento e o domínio que ele tem com os instrumentos. Mas uma fatalidade vai colocar ele fora do jogo da vida e deixá-lo a mercê de sua própria sorte, literalmente. E nessas idas e vindas com a morte, ele começa a perceber qual o real sentido de sua vida e seu propósito aqui nessa terra. O ‘main plot’ dessa animação aborda questões familiares profundas e questionamentos inquietantes sobre buscar o seu sonho ou viver com os pés no chão. Isso porque ‘Joe’ se inspira muito fortemente em seu pai, já falecido, que o fez criar o gosto pela música. Porém, sua mãe, ainda viva, se contrapõe a esse sonho sob a alegação de que o pai de ‘Joe’ nunca alavancou uma carreira de sucesso na música. E nota-se claramente o denso arco que vai se formando de frustrações, decepções e contradições pelo lado amargo que a vida pode trazer quando um sonho idealizado não se concretiza. E essa abordagem profunda vai ganhando força no decorrer da trama, principalmente quando ele encontra a personagem ‘22’ (é esse o ‘nome’ dela mesmo rs) e tem de burlar o ‘sistema’ vida/morte para provar a essa que a vida vale a pena. É aí que animação cria seus meios de se sustentar como uma história mais voltada para os adultos, pois vai abordar também questões psicológicas profundas sobre o medo da vida, de encarar seu destino e de como entender seu espaço nesse mundo. Faz algumas provocações filosóficas sobre ansiedade e depressão e demonstra, em seu fim, que o mais importante da vida é viver, não importando os traumas do passado ou o quanto você esteja empenhado em realizar seus sonhos. O que a animação claramente demonstra é o valor de viver e o valor que a sua vida tem. E nisso ela se foca de forma extremamente inteligente e cuidadosa, apesar dos carregados temas que ela contém.

Onde tudo começou...

 Com tudo isso, fica novamente o expressivo questionamento lá do início desse texto: todos os valores que você carrega durante toda sua vida, pelos seus pais e pelo meio, são os que vão definir toda sua estrutura psicossocial em seu futuro. E são essas experiências com a vida que determinarão o proveito que vais tirar dela no seu futuro. A animação faz essa abordagem de forma segura quando mostra que o pai teve forte influência na carreira que o filho queria seguir. E assim são nossas escolhas de vida. Pautadas nas nossas experiências e no quanto elas se tornam interessantes para nós como seres humanos. E sendo elas possíveis ou não, entender que as frustações e/ou alegrias fazem parte de sua história é peça fundamental para se manter de pé, não desistir e prosseguir. Esse é o núcleo mais importante de toda a narrativa de ‘Soul’.
 Enfim, vale a pena ver o filme? MUITO RECOMENDADO! Por todas essa razões citadas na abordagem desse texto, ‘Soul’ se figura como uma ótima e profunda animação adulta para refletir, pensar e se questionar. Porém, por um outro lado todos os temas que ela aborda não são tão fáceis de serem diluídos pelas crianças, o que não me faz recomendar de forma mais abrangente esse para os pequeninos. É realmente isso, meu caro leitor. Recomendado sim, mas com essas ressalvas importantes. Vale muito conferir!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Filmes

 MULHER-MARAVILHA 1984 (Avaliação 5/5 - Excelente!)


 Com um roteiro suave e história envolvente, novo filme da heroína mais amada dos quadrinhos rende ótimos momentos em tela. Vamos a análise!
 Das características mais marcantes de ‘Mulher-Maravilha’ estão, além da super força, seu senso profundo de justiça e sua integridade. Patty Jenkins (diretora dos dois filmes) conseguiu mais uma vez equilibrar essa fórmula e transpor para as telas um compilado da essência da heroína de forma coesa, mostrando sua vida fora de sua terra natal (Temiscera) e refletindo os sentimentos mistos de uma figura ainda em construção nesse mundo. A expertise em trabalhar com a volatilidade das ações da protagonista (que ainda reflete a dor de ter perdido seu grande amor ‘Steve Trevor’) com a ideia de tê-lo de volta a qualquer custo, mesclou uma gama de possibilidades e fez o longa deslanchar em belos momentos com seu amado, com referências incríveis a apetrechos usados pela personagem no passado que deixariam qualquer fã muito contente com o que foi apresentado em tela.

Diana Prince/Wonder Woman <3

 Gal Gadot mais uma vez brilha apresentando versatilidade e robustez em interpretar uma personagem tão poderosa e que, ao mesmo tempo, pode ser tão frágil como mulher. Um equilíbrio entre sua doce beleza e atuação impecável que geraram mais uma vez a combinação perfeita dessa atriz para esse papel. Desde sua primeira aparição em ‘Batman vs Superman’ como ‘Mulher-Maravilha’, ela já demonstrava todo potencial, mesmo que limitado pelas poucas cenas em que apareceu nesse filme, para interpretar com maestria nossa querida heroína. A química dantes funcional com o ator Chris Pine, tornou a dar bons resultados, incluindo momentos cômicos gerados pela interação dos personagens. Kristen Wiig, que interepreta ‘Barbara Minerva/Mulher-Leopardo’ e Pedro Pascal, que interpreta ‘Maxwell Lord’ são vilões cujas motivações são delineadas ao longo e fazem um bom contraponto com ‘Diana’, visto que a sede do poder desenfreado os tornou em pessoas sem humanidade (característica forte e marcante da personagem principal que, embora possua poder de deuses, não os usa em prol de desejos egoístas e mesquinhos. Antes, aprendeu valores humanos e justos com seu treinamento em sua terra natal). E esse ponto ao meu ver é o que faz os questionamentos da protagonista serem interessantes ao longo da narrativa, tendo de optar entre sua missão e seu grande amor. Muito bem desenvolvida essa balança nela. 

Barbara Minerva/Mulher Leopardo e Maxwell Lord
 
 Outro ponto que me chamou bastante atenção foi ideia de inclusão, apresentada ao longo da trama. A variante de etnias que aparecem no filme e a forma com que cada uma delas é apresentada se torna um ponto muito forte do longa. Ressalta já o fato do filho de ‘Maxwell Lord’ ser asiático, o que por si só já tenta reproduzir a ideia da diversidade, além também da fabulosa ambientação oitentista. Muito bem ornamentada e situada, leva o espectador a uma doce viagem no tempo dentro das mais variadas situações da época. Inclusive ‘Steve’ (Chris Pine) se encanta com as últimas tecnologias das quais ele não teve pleno conhecimento (por questão de sua já citada morte no primeiro longa), produzindo ainda mais deslumbre daquele período. E esses pontos se alinham muito bem com a proposta do longa.
 Mesmo com sua principal trama não condizer com os quadrinhos, muito da essência dos protagonistas e vilões foram bem interpretados pelos atores. Vale ressaltar que as boas cenas de ação e os efeitos especiais são, ao meu ver, satisfatórios e contribuem para manter a narrativa sempre alinhada. A visão de que filme de super-herói tem de ser ação o tempo inteiro não faz jus a um bom roteiro. Já vi filmes de ação desenfreada que pouco exploram seus núcleos narrativos e tornam o filme cansativo e sem direção. História e personagens precisam ser desenvolvidos ao longo para que tudo (até as cenas de ação) façam sentido e tenham bom rumo. E isso a Patty (diretora) o fez, ao meu ver, muito bem. 
 Enfim, vale a pena ver o filme? RECOMENDADÍSSIMO! Patty Jenkins acerta mais uma vez em escalar Gal Gadot para ‘Mulher-Maravilha 1984’. A beleza da protagonista, leveza e sensibilidade de ambas traduzem, no meu ponto de vista, duas horas e meia de muita diversão em tela, além das ótimas referências para fãs das antigas. E a sensacional cena pós-créditos é um deleite para todos os amantes da heroína. Se curtes tudo isso, certeza que é para você esse filme. Vale muito o ingresso!

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Filmes

 TROLLS 2 (Avaliação 4/5 - Muito bom!)

 Animação ‘Trolls’ fala sobre música de forma discontraída mas revela uma crítica ao ritmo ‘pop’ por transcender a linha de seus próprios limites. Vamos a análise!
 Uma história contada sob a perspectiva fofa de pequenos seres que vivem em harmonia com seus ritmos. Um pretexto para revelar todo um pano de fundo crítico-narrativo sobre a indústria global da música e seus efeitos na mente e no cotidiano das pessoas. Um rorteiro genial escrito sob a forma de uma colorida e alegre trama. É assim que consigo enxergar ‘Trolls 2’. Bem além das entrelinhas, o filme faz muitas alusões criativas a esse vasto contexto musical global e deixa explícito as diversas nuances e peculiaridades que cada ritmo possui.
 A impressão logo no início é a de que, no mundo dos ‘trolls’, o único e legítimo ritmo que existe para eles é o ‘pop’. Até descobrirem que eles nunca estiveram sozinhos. E isso traz uma percepção muito bacana de como a música é segmentada e cada gênero musical tem suas ‘tribos’ bem definidas, pois eles logo descobrem que existem outros ‘trolls’ de estilos diversificados e mais ainda, que a rainha do Rock ‘Barb’ está invadindo os outros mundos para unificar todos os segmentos e transformar tudo em um unico ritmo. Daí para para pensar: a subejtividade do roteiro reproduz exatamente o mundo musical como ele mesmo se vê: fragmentado e tematizado cada qual para o seu público. E a produtiva mescla de fatores que transbordam na animação para dar ênfase as críticas são contundentes e palpáveis, tornando seu contexto ainda mais rico e pertinente.

Os protagonistas!

 Bem ali pro fim dos anos cinquenta, o ‘pop’ surgiu e ganhou muita força desde então. E ao longo desses anos todos para cá, o estilo musical foi ganhando formas padronizadas que muito se assemelham em tons e acordes, o que deixa, por exemplo, fãs do Rock e de sua estrutura musical e artística um tanto quanto mais harmoniosa e elaborada contrariados por ver algo que eles consideram ‘musicalmente pobre’ fazer tanto sucesso. E é nesse contexto que animação brilha e faz surgir o tom da crítica, pois em todo tempo a ‘antagonista’ (entre aspas, pois os objetivos dela não são exatamente ruins, visto que sua ‘vilania’ é composta pela ótica orgulhosa de seu olhar) roqueira enfatiza o pop como ‘sem graça’ e ‘grudento’ (em algumas partes da animação ela diz claramente isso), afirmando não ser um estilo realmente bem produzido ou elaborado. E esse produtivo embate é o que faz tudo ter sentido. Se por sua vez o público que de fato curte Rock detesta musica Pop (e eu conheço pessoas assim), quem se agrada da leveza desse ritmo acaba abraçando um pouco de tudo entende? E é exatamente assim que a narrativa conduz a história, permeando sua trama com vários outros ritmos musicais (Country, Funk,  Dance, Erudito, Hip-Hop e até ritmos mais recentes, como K-pop e afins), levando a personagem que é rainha do Pop ‘Poppy’ a querer transcender barreiras e procurar respeitar a diversidade que os estilos musicais reproduzem. Em contrapartida, para a rainha do Rock ‘Barb’, nenhum som é tão relevante quanto seu estilo musical. Percebe aí a grande sacada da animação? Particularmente achei isso genial, tanto na condução quanto na execução do roteiro, pois tanto o segundo ato quanto o desfecho trabalham incessantemente para que essas diferenças sejam exploradas, enriquecendo o conteúdo da animação e a tornando em um belo 'mix' de realidades, diluídas em cada uma das personagens apresentadas na trama, com seus estilos, suas gírias, suas interpretações sobre cada um dos ritmos. Só nesse aspecto a animação já ganhou meu respeito. 

Poppy e Barb!


 Um outro detalhe que me chamou muito a atenção foi o estilo da CGI usado. Lembrando muito jogos como ‘Little Big Planet’ (quem conhecer o game vai se ligar) a textura dos cenários remete muito a esse estilo gráfico: mais cartunesco, porém com uma arte a sua volta lembrando coisas reais (como itens costurados a mão, tais como pelúcias e almofadas). E eu particularmente acho esse estilo artístico muito bonito e impressionante, de certa forma (o game citado aí ganhou muitos prêmios em seu lançamento por conta de toda essa qualidade visual inovadora para época). Parabéns a equipe ‘DreamWorks’ por todo esse cuidado e escolhas na produção e caracterização dos personagens e cenários.
 Enfim, vale a pena ver o filme? MUITO RECOMENDADO! Com uma bela homenagem aos mais variados estilos musicais, “Trolls 2” vai muito além de ser um filme musical e interage com o público de forma peculiar, esbanjando respeito a diversidade desses e declarando que todos eles podem viver harmoniosamente em um mundo fragmentado de estilos. A diversão é garantida em todos os aspectos, tanto para o olhar mais crítico quanto para o mais inocente. Vale muito o ingresso!







sábado, 5 de dezembro de 2020

Bíblia

REFLEXÃO BÍBLICA 

 "O temor do Senhor é o princípio da sabedoria e o conhecimento do Santo, a prudência." Provérbios 9.10   Temer tem uma definição bem distinta de medo. Até porque o temor a Deus não passa exatamente pelo crivo do medo. Nesse caso específico aqui, significa respeito profundo e obediência. E o texto em apreço demonstra que na produção desse sentimento dentro de nós inicia-se o processo da sabedoria. Quem teme ao Pai sabe que tem dEle cuidado. Sabe amar e respeitar seu irmão em Cristo de verdade. Sabe zelar pelo conhecimento e a prática da Palavra tanto dentro do seu coração quanto na vida cotidiana. Sabe o que a inércia da falta de aprofundamento na Palavra pode trazer. Sabe em seu coração quais consequências isso pode gerar. Portanto, meus amados irmãos, se és falto de sabedoria, peça a Deus. Se o temor já se afastou de você com suas práticas, palavras e atos contra si mesmo ou contra seu próximo, entenda que já é tempo de restabelecê-lo em sua vida. O temor nos faz andar em terras firmes e férteis. O temor nos auxilia a não sermos negligentes ao extremo. O temor nos conecta com Deus. Sede sábio e prudente, como diz o texto. Produza temor através do conhecimento do nosso Senhor e dos Seus desígnios para sua vida. E a canção que complementa nossa mensagem de hoje é a belíssima e reflexiva "Imperfeito - Anderson Freire feat. Paola Carla". Medite nessa mensagem, ouça essa canção maravilhosa e seja abençoado em nome de Jesus!