AVATAR: FOGO E CINZAS (Avaliação 4/5 - Muito bom!)

Novo longa da franquia ainda exala exuberância e refinamento
artístico, porém desgasta a narrativa. Vamos a análise!
'Avatar' chegou ao mundo em 2009 e entregou o que muitos estúdios
tem dificuldades até os dias de hoje: CGI de altíssimo nível em um
puro estado de arte que marcou de forma muito pontual o cinema
naquele período. Dono dos seus quase três bilhões de dólares de
bilheteria, alçou um novo patamar para as produções posteriores
sem dúvida alguma. E mesmo com uma narrativa simples e bem linear,
conseguiu estabelecer muito bem James Cameron como um dos grandes
cineastas do nosso tempo, devido ao zelo pela produção de seus
filmes. Após um longo hiato de treze anos, o segundo filme também
se estabeleceu como um enorme sucesso e cá estamos falando sobre o
terceiro capítulo dessa bela franquia. Embora o longa continue
belíssimo e valha toda a experiência, ele já dá algum sinal de
desgaste em toda sua narrativa. Veremos um pouco mais sobre esses
pontos logo abaixo.
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| Os 'Sully' estão de volta. |
Narrativa repetitiva. Estamos na terceira parte dessa saga com uma
história que, apesar de estar avançando em termos artísticos com a
aparição de novas tribos, mantém sua narrativa ainda arrastada sob
a batuta de mostrar de forma mais efetiva esse vasto universo. Por
vezes os diálogos não fazem a trama prosseguir. Eles simplesmente
dão lugar a longas cenas trazendo o deslumbre daquele belíssimo
mundo apresentado por Cameron. Isso até soou razoavelmente bem no
primeiro filme, todavia está começando a dar sinais de desgate
devido a falta de um roteiro mais robusto. Esse movimento repetido
pode atrapalhar a condução das novas produções da franquia -
Cameron tem ciência disso e, apesar da ótima bilheteria deste
também, o longa precisa de um tempo e de uma reformulação nesse
sentido para não perder sua essência. É esperar pra ver.
Novos personagens. A inclusão de uma tribo nova que claramente faz
oposição a outras é sim uma bela adição. A franquia estava
precisando desse tipo de antagonismo. E a nova líder do fogo
consegue transmitir muito bem essa característica vilanesca. O
propósito desse povo contraria todas as ações benevolas dos
outros, fazendo com que haja conflitos incessantes e uma discórdia
por decisões pessoais - sem 'spoilers' aqui - da própria
personagem. O acerto aqui é apropriado uma vez que a vilania sempre
rondava o mesmo ator do primeiro longa - juntamente com os terráqueos
que querem conquistar as riquezas daquele mundo - e já estava se
tornando cansativo devido a isso. Ponto muito positivo esse.
Visual ainda exuberante. O visual de 'Avatar' sempre foi um
espetáculo a parte. É o quesito mais apropriado para todos os
elogios possíveis. Desde a concepção do mundo dos Na'vi até os
figurinos, passando pelos seres que o habitam, tudo surpreende de
forma extremamente arrebatadora. A cada nova jornada, Cameron não
poupa esforços e nem recursos para entregar a experiência mais
impecável possível. E aqui vale o que já havia de certa forma
imaginado: a indicação ao Oscar 2026 nas categorias "Melhor
figurino" e "Melhores efeitos visuais". Nesse quesito,
aliado a uma fotografia incomparável, a franquia merece e sempre
mereceu as indicações. Todos os outros pontos são superados de
forma abundante por esse. A experiência que James Cameron entrega é
magnífica, poderosa - nenhum outro filme consegue esse feito até
hoje - e visceral. Um outro ponto muito positivo também!
3D
obrigatório. Se Cameron usa e abusa de um CGI de altíssimo nível,
o mesmo ele faz com esse recurso. A experiência só fica plena e
completa acerca dessa produção se for vista com os óculos. Como
ele já disse que é um grande entusiasta desta tecnologia, ele
também não mede esforços para entregar o mais alto padrão de
qualidade neste. Recomendo profundamente dessa vez. Agregará e muito
ao que a película já oferece. Vale cada centavo a mais!
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| Vilania nova em 'Avatar 3'. |
Enfim, vale a pena ver o filme? MUITO RECOMENDADO! "Avatar: fogo
e cinzas" é a experiência visual definitiva. Com efeitos
exuberantes, mostra claramente o fascínio de Cameron pela busca da
perfeição. E ainda que se perca em uma narrativa simplória mais
uma vez, não isenta o fato de que aquele mundo merece ser revisitado
novamente. Esse é o sentido da franquia. Enaltecer o espetaculoso
para se tornar uma imersão diferenciada. E só por isso já vale
demais. Vale muito o ingresso!
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